Vigilância proíbe mais 13 medicamentos
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terça-feira, 29 de setembro de 1998
Betina Bernardes Agência Folha 
A Secretaria Nacional da Vigilância Sanitária proibiu ontem a comercialização de 16 lotes de 13 medicamentos que apresentaram irregularidades. Um deles chegou a causar a amputação de um dos dedos da mão de uma paciente.
Segundo a Vigilância, nesses remédios foram encontradas falhas técnicas, seja na embalagem, na rotulagem ou na composição do produto. Os problemas foram detectados a partir de denúncias recebidas pela Vigilância.
Amostras dos lotes foram enviadas para testes no Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde, que apontou as falhas.
A lista inclui medicamentos de grandes laboratórios, como os lotes 332, 336, 337 e 354 do anticoncepcional Triquilar e o lote 342 do anticoncepcional Diane 35, ambos da Schering do Brasil. Eles foram incluídos por apresentarem embalagens com menos pílulas do que as necessárias, problema que já havia sido detectado pela Vigilância de São Paulo.
Pelo mesmo motivo também faz parte da lista o lote 737336 do antidepressivo Rophynol (1 mg), produzido pelo laboratório Roche.
Alguns medicamentos chegaram a causar problemas graves em quem os utilizou. Uma ampola do lote 0129A do anestésico lidocaína, do laboratório Hypofarma, apresentava solução de cloreto de sódio a 20% no lugar de lidocaína a 2%.
A solução para uso interno de cloreto de sódio deve ser no máximo de 0,9%. A de 20%, se usada internamente, causa necrose do tecido, disse Silas Gouveia, diretor para medicamentos do Departamento Técnico Normativo da Secretaria Nacional da Vigilância Sanitária.
De acordo com a Vigilância, a lidocaína adulterada foi aplicada em uma paciente no Espírito Santo que ia arrancar a unha do dedo médio de sua mão. Com a necrose provocada pelo medicamento, a paciente teve de amputar o dedo. No mesmo Estado, uma ampola do mesmo lote do anestésico foi utilizada durante um parto normal, causando lesões na vagina da parturiente.
De acordo com o diretor, o lote 804258 da solução injetável do antibiótico Suxametônio foi incluído na lista como medida cautelar, mesmo sem estar terminada a análise laboratorial do produto. Recebemos uma denúncia grave e ainda não tivemos comprovação laboratorial, mas resolvemos proibir a comercialização desse lote como medida preventiva, afirmou Gouveia.
Outros medicamentos em que foram encontrados problemas na composição de pelo menos um frasco ou cartela de lote do produto foram o relaxante muscular sulfato de atropina (volume e teor insatisfatórios), o amebicida metronidazol (presença de toxina), o nutriente parenteral Ringer com lactato de sódio (presença de partículas estranhas), o hidróxido de alumínio (presença de contaminantes bacteriológicos) e os antibióticos ampicilina 500 mg (remédio não dissolve como o recomendado) e penicilina (aspecto não homogêneo após adição de diluente).


