Vigilância Epidemiológica do Rio não admite surto de meningite, mas mantém alerta
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terça-feira, 04 de janeiro de 2000
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 04 (AE) - Apesar de quatro crianças terem morrido nas duas últimas semanas (três delas este ano) de meningite meningocócica e 13 casos terem sido registrados no período, a Coordenação de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde do Rio não considera que esteja ocorrendo um surto. Segundo a coordenadora, Mari Baran, o número de casos da doença vem diminuindo progressivamente. Até dezembro passado, houve 264 casos, contra 335 em 1998 e 404, em 1997.
Os dados da Secretaria Estadual de Saúde, obtidos junto às prefeituras e repassados ao Ministério, indicam que houve 476 casos de meninginte em todo o Estado até novembro de 1999, 734 casos no ano anterior e 897 em 1997. O número de mortes também tem caído na mesma proporção e, por isso, Mari Baran acha prudente verificar o comportamento da doença este mês antes falar em epidemia ou surto. "Mesmo assim estamos atentos para mandar uma equipe a cada lugar onde for encontrada uma pessoa doente", disse.
As quatro crianças mortas na última semana moravam em bairros diferentes o que, para Mari Baran, indica que não há um foco da doença em alguma região da cidade. "Toda instituição de saúde é obrigada por lei a comunicar os casos de meningite e, em dezembro, tivemos 22 casos, o que é menos da metade do limite favorável", comentou ela. "Além disso, uma das mortes ocorreu em dezembro porque consideramos a data da manifestação dos sintomas da doenca e não do óbito".
O avô de um dos meninos mortos, o médico Carlos Bacelar, concorda que não há um surto mas tomou providências para evitar que a doença se alastre. "Todos que tiveram contato com meu neto, Werson Bacelar Rego, tomaram o antibiótico Rifamicina, pois mesmo quem não apresenta sintomas pode ser portador da bactéria meningocócica e transmití-la a outras pessoas", ponderou ele. "Só não foi preciso levar o remédio à creche dele porque a doença se manifestou muito depois do recesso da escola". Bacelar, no entanto, acredita que há mais casos que os registrados pela Secretaria Municipal de Saúde.
"O diagnóstico é difícil, pois exige exames específicos e nem todo laboratórios tem condições de realizar", disse. O caso de Werson surpreendeu toda a família por ser atípico. Filho de uma médica e um juiz, ele não tinha os problemas comuns a outras vítimas da doença: não era subnutrido, vivia em uma boa casa e não tinha sofrido qualquer tipo de acidente. Além disso, sua irmã, também pequena, não se contaminou. "Ele teve um pouco de febre no sábado, melhorou e dormiu contando piada, para acordar no domingo já morrendo", lamentou Bacelar. "Casos como este merecem atenção porque, se um menino tão cuidado morreu assim, outros podem correr o mesmo risco".


