Vigilância determina inspeção em indústrias
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sábado, 06 de janeiro de 2001
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou ontem a inspeção sanitária em 11 indústrias que fabricaram 15 produtos com amendoim e milho de pipoca, nos quais foi constatada a presença de uma toxina prejudicial à saúde. A ordem do Ministério da Saúde foi dada a todas as Vigilâncias Sanitárias estaduais e ocorreu após a reincidência na detecção da aflatoxina em alimentos vendidos no Distrito Federal, que proibiu a comercialização destes produtos.
No Paraná, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) embargou ontem lotes de três produtos suspeitos de contaminação: milho de pipoca para preparo convencional da Yoki, paçoca de amendoim Delícia e amendoim descascado da Zaeli.
Todos estes produtos apresentaram lotes com alto teor de aflatoxina, produzida pelo fungo Aspergillus flavus, em testes realizados nos dois últimos anos pela Vigilância Sanitária do Distrito Federal.
O metabolismo de digestão do fungo multiplica a presença da aflatoxina (que inclui a variação da micose de pele), provocando câncer de fígado e hepatite B, segundo pesquisas.
Nos testes feitos em Brasília, foram registrados níveis da substância três vezes maior do que o tolerável. O fungo se prolifera devido às condições inadequados na colheita ou no armazenamento do produto. Nos outros produtos destas marcas, os níveis de aflatoxina foram considerados normais.
Ontem, foram interditadas cautelarmente os setores das unidades industriais que produziram os lotes contaminados. A Zaeli, em Umuarama (Noroeste do Estado), a Yoki, em Cambará (22 km a noroeste de Jacarezinho), e a Delícia, em Rolândia (25 km a oeste de Londrina) tiveram as instalações vistoriadas por técnicos das respectivas regionais de sá© ude e das vigilâncias sanitárias locais. Os estoques foram interditados, mas a venda não está proibida.
A inspeção foi transformada em um relatório que será entregue à Secretaria Estadual de Saúde. No documento, constarão as condições sanitárias das instalações, do mecanismo de produção (como é manipulado o produto) e os procedimentos de controle sobre a matéria-prima que a empresa recebe de seus fornecedores.
Foram coletadas ainda amostras de todos os produtos à base de amendoim e milho de pipoca, enviados para o Laboratório Central do Estado (Lacen). Será feita a análise fiscal destes alimentos e em 15 dias os resultados serão divulgados.
Confirmada a contaminação, a VS deve recolher os produtos nos supermercados, lanchonetes, bares e outros pontos de venda. Os fabricantes poderão se defender solicitando a contra-prova do material. Se o resultado da contra-prova for negativo, uma terceira amostra define se há realmente contaminação.
Segundo Devanir de Paula Souza, sócio-gerente da Doces Delícia, foram embargados 300 pacotes de paçoca de amendoim de estoque. Tenho certeza que estes lotes não estão contaminados. Se tiver, é uma falha do Ministério da Agricultura. Toda a matéria-prima que consumimos tem o Certificado de Classificação deste órgão, alega. O lote examinado em Brasília teria sido produzido em fevereiro, oito meses antes dos atuais proprietários assumirem o comando da empresa.
Gabriel João Cherubini, diretor vice-presidente da Yoki Alimentos, disse que, ao contrário do que informou a Vigilância Sanitária, a unidade da empresa em Cambará não foi visitada. De acordo com o executivo, o assunto já está superado e a contaminação comprovada no lote vendido em Brasília foi um caso pontual (uma pequena quantidade de milho de pipoca de um produtor argentino). Desde então tornamos ainda mais rígido o controle nas aquisição de matéria-prima.
De acordo com o coordenador da Vigilância Sanitária da Regional de Saúde em Umuarama, Luiz Bruno, os lotes de matéria-prima ficarão retidos na indústria até que saiam os resultados dos testes, dentro de 10 a 15 dias. A Regional ma inspeção nas instalações e documentos sanitários da empresa, mas não encontrou nenhuma irregularidade. (Com Agência Estado e Vânia Moreira, de Umuarama)


