Vigia é suspeito de incendiar carros para conseguir emprego; testemunhas não reconhecem acusado
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quarta-feira, 06 de outubro de 1999
Por Luiz Carlos Lopes 
Marília, SP, 07 (AE) - O vigia noturno Manoel Messias Alves Martins, preso ontem (06) em Marília, interior de São Paulo, sob suspeita de ser o incendiário que desde janeiro destruiu total ou parcialmente 49 veículos no município, podia estar usando os atentados para conseguir trabalho em bairros residenciais da cidade. A suspeita foi levantada hoje pelo delegado José Carlos Costa, diretor da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que conduz as investigações e já ouviu pelo menos duas testemunhas que confirmam a hipótese. Outras três testemunhas, porém, não reconheceram Messias como sendo o autor dos crimes.
De acordo com o delegado, que já admite pedir à Justiça a ampliação da prisão temporária do suspeito - preso inicialmente por três dias -, uma testemunha, residente no Jardim Ohara, onde Messias prestava serviço como vigia noturno, o reconheceu como sendo a mesma pessoa que, dias antes de seu veículo sofrer uma tentativa de incêndio, esteve em sua casa pedindo trabalho. Outra testemunha, o proprietário de uma empresa localizada na mesma rua, contou ter recebido vários telefonemas com ameaças de que seus carros seriam incendiados e, por isso, contratou os serviços do vigia. Conforme o delegado, coincidentemente, depois disso o empresário parou de receber ameaças e não teve nenhum veículo incendiado. Levantamento - Um levantamento realizado pelo policial mostra que grande parte dos incêndios em veículos ocorreram em bairros próximos ao Jardim Ohara. A polícia tenta descobrir entre as vítimas aquelas que teriam recebido telefonemas anônimos ou propostas de trabalho de Messias. Hoje, três testemunhas, entre elas duas que ajudaram a polícia a fazer o retrato falado do incendiário, não reconheceram o vigia preso como sendo o autor dos atentados.
Uma delas, um jornaleiro que no dia 20 de janeiro viu o maníaco colocando fogo em um carro estaciondo em uma garagem da Rua Calin Gadia, reconheceu apenas o boné vermelho, encontrado com Messias, como sendo o mesmo que era utilizado pelo homem que fugiu depois de colocar fogo no carro. Dois funcionários de uma farmácia, que venderam álcool para uma pessoa que a polícia acredita ser o incendiário e ajudaram a fazer o retrato falado, negaram que Messias tenha semelhanças com o homem que atenderam. Um deles disse que somente a bicicleta azul, encontrada com o vigia preso, é parecida com a que era usada pelo comprador do álcool. Igreja - Hoje, Messias voltou a negar a autoria dos atentados. Ele confirma apenas ter passado trotes na polícia identificando-se como o incendiário. O vigia atribuiu sua atitude a "uma fraqueza que é própria do ser humano". Há cerca de quatro meses o vigia fundou uma igreja evangélica no bairro Nova Marília, perto do local onde reside. A informação foi prestada por ele mesmo em entrevista à reportagem.
O suspeito explicou que há vários anos frequenta templos evangélicos e que, mesmo sem possuir o título de pastor, resolveu abrir sua própria igreja com a mulher. Ele é o responsável pela pregação durante os cultos, realizados às quartas-feiras, e a mulher, pela organização dos trabalhos.


