Vigia confessa participação em chacina de família
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terça-feira, 13 de setembro de 2005
Agência Estado 
São Paulo- O vigia Ricardo Francisco dos Santos, de 26 anos, confessou ontem ter participado da chacina da família Yonekura. Ele apontou Celso Alencar dos Santos, de 33, como seu cúmplice no crime e disse que outros dois homens os ajudaram. Eles seriam amigos de Celso, que fugiu em março da Penitenciária de Franco da Rocha, onde cumpria pena em regime semi-aberto depois de condenado por roubo, homicídio e porte ilegal de arma.
Na casa de Ricardo, os investigadores apreenderam um quadro pintado por Futaba Yonekura, mulher do aposentado Tadashi e mãe de Nilton, Fátima e de William, que sobreviveu. William perdeu também a mulher no crime, Erica Miyamoto Yonekura, executada com um tiro na cabeça. Bruno, o filho de 11 meses do casal, foi poupado.
Ricardo era amigo de infância de Nilton e contou ter telefonado para Tadashi um dia antes do crime. Queria saber quando William, Fátima e Érica retornariam do Japão. Os três estavam lá havia seis anos - William e Fátima trabalhavam - e traziam US$ 30 mil. Em sua confissão, Ricardo diminuiu sua participação na chacina. Disse que comentou com Celso, primo de sua mulher, há dois meses que seus pais eram vizinhos de japoneses cujos filhos estavam para voltar do Japão com dinheiro. Desde então, afirmou, era ameaçado por Celso, que o obrigou a levá-lo à casa dos Yonekura. Teria sido Celso o responsável pelos tiros e tortura. Ricardo só admitiu ter amarrado as vítimas.
''Não acreditamos nisso. O que ele não contava é que uma vítima sobrevivesse'', disse o delegado Luiz Fernando Lopes Teixeira, do DHPP. Os bandidos chegaram à casa às 18 horas de sábado e saíram ao amanhecer de domingo.
Apesar de cobrir o rosto com camiseta, Ricardo foi reconhecido por Tadashi. William ouviu o pai chamá-lo duas vezes pelo nome. Na primeira, para fazer xixi. Na outra, Tadashi perguntou: ''Ricardo, por que você está fazendo isso com a gente?'' Os ladrões levaram US$ 5 mil - o restante estava no banco. Celso ficou com os dólares e ia trocá-los para dividir o dinheiro com Ricardo.
O corpo de Érica Miyamoto, de 28 anos, foi sepultado ontem em Assis Chateaubriand (72 km ao norte de Cascavel), onde moram pais e irmãos. Cerca de 300 pessoas acompanharam o cortejo. O acesso ao velório ficou restrito a parentes e amigos mais próximos.
Como a família Myamoto é considerada de grande tradição na cidade, o funeral despertou interesse de muitos curiosos, que se concentraram em frente à casa dos pais. Érica passou ao lado do marido seis anos trabalhando no Japão. Não havia informações oficiais se o marido e o filho estavam presentes no sepultamento. (Colaborou Guilherme Gouveia)


