O pároco de Turvo, padre João Bacal, diz que o quadro de miséria se agrava com a falta de instrução nas comunidades carentes, principalmente nas áreas rurais. Para ele, além da assistência material, é preciso desenvolver ações que preparem as pessoas para medidas simples e eficientes de higiene e que estão ao alcance de todos. Ele cita como exemplo a limpeza das casas, o confinamento de animais, principalmente porcos, a prática de ferver a água e ministrar o soro caseiro. ‘‘Para dispor de saúde básica não é preciso ser rico, basta manter a casa limpa. É um princípio elementar’’, diz o padre.
Além disso, ele adianta que, junto com os outros dois padres da paróquia, está empenhado em mudar a mentalidade das pessoas mais simples, que atribuem as mortes das crianças à vontade divina. ‘‘De uma vez por todas, é preciso entender que Deus dá a vida para que ela seja vivida, não para a morte. Então, somos, indistintamente, responsáveis pela manutenção da vida, enquanto dom divino e meio de progredirmos material e espiritualmente aqui na terra. Do contrário, estaremos ocorrendo em ‘pecado de omissão’. As pessoas precisam abrir os olhos para isso’’, ensina.
O padre João, que está no município há dois anos vindo de Curitiba, diz que, no início, não tinha noção da gravidade da situação, que começou a vir à tona a partir da metade do ano passado, devido à divulgação do Censo do IBGE. ‘‘Diante disso, todos nós, da Igreja e do Município, devemos nos voltar para ajudar a mudar o quadro.’’ O pároco, porém, considera que a tarefa não é nada fácil, principalmente pela falta instrução das pessoas do interior.

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