Vieira de Carvalho é homenageado no Paraná
JAGUARIAÍVA, PR, 28 (AE) - Luiz Vieira de Carvalho, ex-presidente do Conselho Administrativo do Grupo Estado, que morreu em 1977, foi homenageado hoje em Jaguariaíva, cidade do interior do Paraná.
A homenagem foi prestada pela comunidade local, representada pelo prefeito e o presidente da Câmara Vereadores, e pela direção da Pisa - Papel de Imprensa S.A. Na cerimônia, à qual compareceram vários representantes da família Mesquita, foi descerrado um busto de bronze de Luiz Vieira de Carvalho Mesquita, colocado no saguão de entrada da fábrica da Pisa.
A construção dessa indústria, a maior da América Latina na fabricação de papel para jornal e apontada como uma das mais eficientes do mundo, deveu-se sobretudo aos esforços do antigo presidente do Grupo Estado, conforme foi lembrado em diversos momentos da homenagem.
O prefeito Ademar Ferreira de Barros, ao falar em nome da comunidade local, destacou que a Pisa mudou a história da cidade
antes conhecida principalmente por seus problemas sociais. "Fazíamos parte do chamado ramal da fome, mas com a criação de milhares de empregos diretos e indiretos, hoje estamos entre as trinta cidades que mais se desenvolvem no Paraná", disse.
Ao falar em nome da família, o diretor do Estado, Ruy Mesquita
lembrou que ele sempre conduziu as atividades industriais do grupo com o olhar no futuro. "Teve sucesso como empresário e engenheiro, mantendo-se permanentemente atualizado num setor que sofria rápidas transformações", disse. "Conseguiu permanecer sempre adiantado em relação às novidades que surgiam no exterior e que trazia para a empresa, mantendo-a sempre up to date."
A principal ênfase do discurso do diretor do Estado, porém, foi sobre uma face pouco conhecida de Luiz Vieira de Carvalho Mesquita: seu interesse pela política e pela cultura. O ex-presidente do Conselho, segundo Ruy Mesquita, possuía uma modéstia excepcional, que impedia muitos de avaliarem corretamente suas virtudes. "O nosso Zizo, como eu o chamava, foi na nossa geração o único a enveredar pela área das ciências exatas, mas possuía uma cultura humanística que era a maior entre nós todos", disse. "Era um apaixonado pela evolução política do País, tanto quanto os diretores que eram responsáveis diretamente pela questão dos rumos políticos do jornal."
Segundo Ruy Mesquita, que estava acompanhado pela mulher Laurita, Zizo foi profundamente impregnado pelas tradições da família, que via o Estado principalmente como um instrumento para influenciar e melhorar as estruturas políticas e sociais do País. O lastro familiar dado a Luiz Vieira de Carvalho foi mais importante para o sucesso profissional e a formação de sua consciência política do que os estudos na Politécnica, disse o diretor.
Leitor voraz desde a infância e apaixonado pela música, Luiz Vieira de Carvalho Mesquita também dirigiu durante 30 anos a Sociedade de Cultura Artística de São Paulo, que proporciona à cidade um inestimável trabalho de divulgação da cultura e da arte.
A cerimônia foi conduzida por Fernando Crissiuma Mesquita, filho de Luiz Vieira de Carvalho Mesquita e seu substituto na presidência do conselho administrativo da Pisa. Ele também dirige as unidades de Vendas Gráficas e OESP Mídia do Estado e JT. Para o descerramento do pano que cobria o busto foram convidadas Maria Cecília Vieira de Carvalho Mesquita, irmã do homenageado, e Maria Luiza Mesquita Britto, filha, casada com José Francisco Freire de Britto.
Luiz Vieira de Carvalho Mesquita trabalhou durante quase 50 anos no Estado, dedicando-se principalmente à área industrial. Formado pela Escola Politécnica (Poli), da Universidade de São Paulo (USP), foi o principal arquiteto das transformações tecnológicas realizada no Estado até sua morte, em março de 1977. Entre todas as atividades a que se dedicou, porém, a que deixou mais clara seu estilo persistente e capacidade de planejamento foi a criação da Pisa.
Tratava-se de um antigo sonho dos proprietários do Estado, por razões estratégicas e políticas. Em primeiro lugar, sabiam que correriam sempre risco de abastecimento enquanto dependessem exclusivamente da importação de papel. Por outro lado, temiam ameaças à independência de opinião do jornal, uma vez que qualquer governo podia criar dificuldades para as compras no exterior, como forma de pressão.
O engenheiro Luiz Vieira de Carvalho Mesquita dedicou-se durante décadas a essa questão, um sonho que foi finalmente realizado em janeiro de 1985, quando a Pisa deu início às suas atividades em escala comercial. Hoje o Grupo Estado participa como acionista controlador da empresa, associado ao ao grupo neozelandês Fletcher Challenge e ao BNDESpar.
Entre as pessoas que ajudaram Luiz Vieira de Carvalho Mesquita a levar adiante essa empreitada estava o ruralista Luiz Suplicy Hafers, atual presidente da Sociedade Rural Brasil. Ele também participou da homenagem. Entre os representantes da Pisa encontravam-se Célio Virgínio dos Santos Filho, superintendente da empresa, Karl Frishling, responsável pela expansão; e Afonso Noronha, diretor da fábrica.
Luiz Vieira de Carvalho Mesquita foi casado com Maria Ali Crissiuma Mesquita, que faleceu em 1977. Além de Fernando, que é casado com Renata Carvalho Pinto Coutinho Mesquita, e Maria Luiza, o casal teve mais dois filhos: Roberto Crissiuma, diretor comercial do Estado, casado com Andréa Brito Mesquita, e Ana Maria Mesquita. Viúvo, ele casou-se pela segunda vez com Daisy Catoira Mesquita, que também participou da homenagem na fábrica da Pisa.
Entre os presentes também se encontravam João Lara Mesquita, diretor da Rádio Eldorado, Ruy Mesquita Filho e Fernão Lara Mesquita, ambos do JT, e Júlio César Ferreira de Mesquita, do Estado.





