Videolar entra no ramo do poliestireno para se livrar das importações
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quinta-feira, 03 de fevereiro de 2000
Por Viviane Mottin 
São Paulo, 03 (AE) -A carta de alforria da Videolar em relação às importações de poliestireno (PS, plástico para gabinetes de computadores, caixinhas de CD, box para fita de vídeo) foi anunciada hoje. É que a empresa está investindo US$ 50 milhões na construção de uma unidade de PS, em Manaus, com capacidade instalada de 120 mil toneladas (t) ao ano e possibilidade de expansão para até 240 mil t/ano.
O faturamento previsto, na primeira etapa, é de US$ 120 milhões ao ano. A tecnologia é licenciada pela belga Fina Oil and Chemical Company (comprada pela francesa Total, no ano passado) e a construção civil está a cargo da IESA - Internacional de Engenharia, subsidiária integral da Inepar.
Do PS produzido, 30% se destinam ao consumo cativo das quatro unidades da Videolar (2 no Brasil e 2 na Argentina), outros 30% para consumo das indústrias na Zona Franca e o restante exportados para outros estados brasileiros e aos países do Mercosul a preço internacional - quase a metade do interno. "Este será o nosso diferencial competitivo", informou o presidente e maior acionista da Videolar, Lírio Parisotto.
Das 400 mil t/ano de PS consumidas no Brasil, cerca de 65% são importadas, principalmente pelas indústrias instaladas na Zona Franca de Manaus, que consomem cerca de 80 mil t/ano do produto. A Videolar é uma delas e, ultimamente, vinha importando as 40 mil t/ano que usa. "O preço da matéria-prima no mercado interno é superior aos internacionais. Tentamos negociar esses preços, mas não teve jeito. A saída é fazermos nós mesmos", explica Lírio Parisotto.
Dos US$ 50 milhões a serem investidos a partir de maio, quando começa a parte de construção civil, US$ 35 milhões serão imobilizados e os outros US$ 15 milhões usados para capital de giro. A Videolar dispõe de recursos próprios, mas solicitou financiamento de US$ 10 milhões a US$ 15 milhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em setembro, informou o gerente de contrato da IESA, Adelino Francisco da Silva, será iniciada a montagem da fábrica petroquímica propriamente dita (reatores e tubulações). A indústria entra em operação dentro de 15 meses.
As 120 mil toneladas de monômero de estireno, matéria-prima para a produção do PS, serão compradas no mercado interno (onde é escasso) ou importado do Golfo do México, onde a Fina produz do eteno (insumo do monômero) às resinas termoplásticas. Ainda assim, segundo o presidente da Videolar, sai mais em conta do que importar a resina termoplástica ou comprá-la no Brasil.
A idéia de montar uma petroquímica própria, diz Lírio Parisotto, deveria ter sido colocada em prática há dois anos. Mas a queda do consumo brasileiro adiou os planos da empresa. No ano passado, o faturamento da Videolar foi de R$ 300 milhões, resgistrando queda de 30% em comparação com o resultado de 1998. Para este ano, a recuperação prevista é de 20%.
Nos Estados Unidos, um mercado considerado estável, o consumo de PS cresce a 5% ao ano. No Brasil, um ano bom como promete ser 2000, pode ter incremento de 7% no uso da resina. "No mundo inteiro, o consumo dessa resina sempre cresce mais do que o Produto Interno Bruto", garante Lívio Parisotto. Ele, um empreendedor iniciante no ramo, afirma que as portas da petroquímica Videolar permanecem abertas para a formação de joint-ventures. "Ninguém escapa de um bom negócio", sinaliza.
A Videolar contatou a Basf e a Dow Química - duas únicas grandes produtoras de PS no Brasil; e a mais recente será a Innova, a partir de setembro - oferecendo parceria para a produção do PS em Manaus. Nenhuma aceitou. A empresa contratou a IESA e a Fina para colocar os planos em prática.
O vice-presidente da Inepar, Antonio Muller, explicou que a construção da unidade será feita nos moldes do sistema EPC (Emngenharia, Procura e Compra). Isso inclui a parceria com a Total Fina, responsável pela tecnologia. Juntas, elas entregarão a fábrica completa e em funcionamento.
Mas a parceria termina quando iniciarem as operações da indústria de 40 mil metros quadrados construídos em área total de 70 mil metros quadrados, em Manuas (AM). Para tocar a fábrica
uma parte dos 150 funcionários contratados pela Videolar está nos Estados Unidos aprendendo, com a Fina, os processos petroquímicos.


