Videokê dá voz a talentos musicais
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de outubro de 1998
Edna Mendes 
Quando eu soltar a minha voz, por favor entenda!. Essa é a frase mais ouvida nos bares e restaurantes que entram com tudo no novo modismo importado da Coréia do Sul: o videokê. Substituto do antigo karaokê, a nova mania está invandindo as casas noturnas sem fazer distinção entre desafinados, cantores profissionais, cantores de chuveiro, integrantes de corais e até quem nunca se arriscou a subir num palco antes.
O videokê é um aparelho audiovisual de alta potência, que reproduz o som de fundo das músicas, exibe as letras e marca o ritmo num aparelho de TV ou telão. Isso tudo facilita a apresentação do intérprete, que não precisa se preocupar em conhecer detalhadamente as letras e os ritmos. As músicas saem de cartuchos, que são conectados ao equipamento. Ao final da apresentação, os cantores são avaliados pelo próprio aparelho, que mostra na tela a nota referente ao número musical.
Em Foz do Iguaçu, a nova mania está agradando também os turistas. No Pizza Park, por exemplo, uma das pizzarias que tem em sua clientela muitos americanos, australianos e argentinos, a animação é geral. Os turistas gostam muito. Eles se entusiasmam muito com o videokê. Brincam e tentam acompanhar quem está cantando, conta a dona da pizzaria, Noeli Lúcia da Cunha.
Quem tira notas altas é premiado. O estabelecimento oferece troféu, pizza e boné para quem obtém um 10. Já quem tira 9,9, ganha um chope. Até hoje só três pessoas tiraram 10, recorda Noeli.
Na maioria das casas que oferecem videokê, os ritmos sertanejos são os mais cantados. Mas o repertório disponível é bastante variado. Cada cartucho tem 200 músicas - com um cardápio que inclui pagode, samba, romântica, rock, música popular brasileira, bossa nova e música americana.
O turista Júlio César de Castro, de 45 anos, que mora no Rio de Janeiro, disse que sempre gostou de cantar mas, antes do surgimento do videokê, não se arriscava por causa da timidez. Com videokê ninguém se preocupa se está cantando bem ou mal. Agora canto toda vez que tenho chance. O importante mesmo é cantar, se descontrair, brincar. Acho que é essa a função do videokê, opina. Castro gosta de cantar Lulu Santos, Guilherme Arantes, Djavan, Martinho da Vila e Roberto Carlos.
A tia dele, Vera Manginie, de 70 anos, que o acompanhava na viagem a Foz, disse que gostaria de cantar, mas não conhecia a maioria das músicas dos repertórios de videokê. É uma pena porque as músicas que eu conheço são muito antigas. Eu adoro cantar. Para mim, funciona como uma terapia.
O BulletS Bar é outro local que está investindo em videokê. As terças-feiras são dedicadas somente para a atração. Com clientela predominantemente jovem, os frequentadores do pub (bar típico inglês) gostam de cantar músicas de bandas de rock nacional.
Um dos proprietários do estabelecimento, Karl Stoeckel, 20 anos, diz que as mulheres são as que mais se arriscam em encarar o microfone para soltar a voz. Mas são os homens que cantam melhor, opina.
O músico Claiton Luiz Souza, 22 anos, diz que começou a cantar em casas noturnas há três meses mas, desde que surgiram os videokês, ele se tornou um frequentador assíduo dos locais que oferecem a atração. Eu acho que cantar em videokê é mais difícil do que cantar em banda. Com banda, se a gente erra os outros músicos consertam. Já o videokê não. Com ele, estou conseguindo me aperfeiçoar e, ao mesmo tempo, me divertir.
Serviço:
ONDE CANTAR EM FOZ DO IGUAÇU
- Pizza Park
Rua Almirante Barrosao, 993 - Fone (045) 523-3669
Couvert artístico: R$ 2,00
- BulletS Bar
Rua Edmundo de Barros, 40
Couvert artístico: R$ 2,00
- Palácio do Chopp
Terceira pista da Avenida Juscelino Kubitsckek
Couvert artístico: R$ 3,00


