Vídeo desmente PMs e confirma disparos
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terça-feira, 08 de julho de 2008
Folhapress 
Rio- Cenas gravadas pelo circuito de TV de um prédio vizinho ao local onde foi morto o menino João Roberto Amorim Soares, 3, indicam que os policiais militares envolvidos no caso mentiram ao depor à Polícia Civil e atiraram diretamente no carro em que estava o garoto, sua mãe e o irmão de nove meses.
As imagens são ''definitivas'', disse o delegado Walter Alves Oliveira, que ontem indiciou o cabo William de Paula e o soldado Elias Gonçalves da Costa Neto por homicídio doloso qualificado (com intenção de matar e sem dar chance de defesa à vítima).
Interrogados na 19 Delegacia na noite de domingo, os PMs disseram que atingiram o garoto, que estava dentro de um Palio Weekend, durante troca de tiros com criminosos que circulavam na Tijuca (zona norte) em um Fiat Stilo roubado. As imagens confirmam a versão dos pais da vítima, de que não houve tiroteio no momento em que abordavam o carro em que o garoto estava.
A gravação mostra os policiais descendo de um veículo e atirando contra o Palio. Sentado no banco de trás, João Roberto foi baleado na nuca, nas nádegas e na orelha esquerda. Morreu no dia seguinte e foi enterrado ontem. Ao volante, a mãe, Alessandra Amorim Soares, sofreu ferimentos por estilhaços, sem gravidade, na barriga e nas pernas. Vinícius, de nove meses, não foi atingido, embora estivesse ao lado do irmão.
Além de indiciados, De Paula, 36, e Costa Neto, 30, tiveram a prisão temporária de 30 dias pedida à Justiça pelo delegado. O Judiciário não havia se manifestado sobre a solicitação até ás 20h de hoje.
Os policiais estão em prisão administrativa, decretada pela Polícia Militar, desde domingo. Segundo o comando da PM, os dois ainda não constituíram advogados.
''As imagens desmontam a primeira versão dos policiais. Foram definitivas. Eles tentaram mascarar o que aconteceu. Eles contaram uma história diferente'', afirmou Oliveira.
Nos depoimentos, os PMs disseram que perseguiam o Stilo, de cor preta, quando na rua General Espírito Santo Cardoso o carro da família Soares ficou entre o fogo cruzado.
O circuito de TV do edifício gravou imagens que revelam que, logo após o Stilo passar em velocidade, Alessandra parou à esquerda o Palio grafite, supostamente para não atrapalhar a perseguição policial, da qual deve ter sido alertada pela sirene do carro da PM.
A seguir, mostra a gravação, a patrulha parou alguns metros atrás. Dois policiais desceram do carro, um deles protegeu-se atrás de um poste e os dois atiraram contra o Palio, perfurado por pelo menos 16 tiros.


