Vídeo de Elián causa controvérsia nos EUA
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quinta-feira, 13 de abril de 2000
Por Ted Anthony 
Miami, 14 (AE-AP) - O vídeo caseiro proporcionou uma das imagens mais eloquentes até agora: o pequeno Elián González, sentado em uma cama e de frente para a câmera, disse a seu pai que não quer regressar a Cuba. Foi um verdadeiro impacto televisivo, e levantou uma questão ética que resultou em censuras aos familiares do menino em Miami.
Um jornal, que não é de Miami, comparou o vídeo de Elián aos vídeos de prisioneiros de guerra. O Miami Herald afirmou em um editorial que se trata de "tática dos meios de informação". E Doris Meissner, comissária do Serviço de Imigração e Naturalização, considerou a gravação "profundamente perturbadora".
A questão é se um menino de seis anos pode tomar uma decisão por si só e permitir que ela seja transmitida pela televisão, ou se, por acaso, ele foi manipulado por seus parentes com fins políticos.
"Papai, não quero ir a Cuba. Se quiser, fique aqui. Não vou a Cuba", disse Elián em uma declaração transmitida ontem pela televisão nacional. O garoto estava animado e gesticulava vivamente.
O vídeo foi obtido pela rede de televisão em espanhol Univisión e foi difundido por um programa da cadeia ABC.
Logo depois, as imagens foram transmitidas por emissoras a cabo, provocando veementes protestos do advogado do pai de Elián
Juan Miguel González. "O senhor González e somente o senhor González tem o direito legal e moral de falar por Elián González", disse o advogado Gregory Craig.
"Isto é o que Elián vem dizendo durante os cinco meses em que está em Miami", disse, por sua vez, o advogado dos parentes de Elián em Miami, Spencer Eig.
Para Bob Steele, diretor do programa de ética do Poynter Institute, um centro de educação jornalística, os motivos dos familiares de Elián em Miami para difundir o vídeo são questionáveis. "Não há dúvida de que a voz de Elián e seus desejos são parte da história. Mas me preocupa profundamente como eles são usados", afirmou.


