Vida silvestre no parque de Brasília deve acabar em 10 anos12/Mar, 13:51 Por Hugo Marques Brasília, 12 (AE) - Refúgio natural de animais em extinção como tatu-canastra, lobo-guará e tamanduá-bandeira, o Parque Nacional de Brasília - um dos maiores e mais bonitos do País - está sendo depredado por cachorros, cavalos, moradores do lixão e até por soldados. A estimativa dos especialistas é que em dez anos, se nada for feito para conter a devastação, não haverá mais mamíferos no parque. A ocupação irregular do solo atingiu quase toda a margem do parque. Os vários condomínios fizeram poços artesianos e a água tem diminuído cada vez mais na reserva natural. A Piscina Velha da água Mineral, que fica dentro do parque, há dez anos enchia em apenas quatro horas, com a água das nascentes. Com a excassez de água, agora a operação não é feita em menos de 24 horas. Algumas nascentes do parque abastecem a Barragem Santa Maria, de onde sai a água consumida no Plano Piloto, no Lago Norte e parte do Lago Sul. Os condomínios e o setor de oficina que ficam próximos ao parque estão contaminando a água das nascentes com coliformes fecais. O governo de Brasília planeja construir nova cidade na lateral do parque, o Setor Noroeste. Algumas nascentes estão localizadas a pouco mais de 300 metros do Lixão de Brasília, que foi construído ao lado do parque. Cerca de 3 mil cachorros, a maioria pertencente a moradores de áreas pobres que circulam o parque, invadem a área verde para caçar animais silvestres. As matilhas estão atacando, matando e comendo lobos-guará, tatus, antas e até porcos-espinhos. A coordenadora do Projeto de Cães Selvagens, a geógrafa Raquel Milano, acredita que há mais de 100 cachorros nascidos dentro do parque sem contato com o Homem. O projeto visa recolher e esterilizar os cães. Os soldados de alguns batalhões do Exército, segundo Raquel, fazem "treinamento" em áreas do Parque e "pulam a cerca" para nadar de graça nas piscinas. Outros "intrusos" que começam a destruir o ecossistema são o capim-gordura e braquiária, que já ocupam mais de 10% dos 30 mil hectares da área total do parque, substituindo a vegetação nativa do cerrado. O diretor do parque, Elmo Monteiro, acredita que haja pouca comunicação com a área ambiental do governo do Distrito Federal sobre os problemas que afetam o parque. Ele é contra o surgimento de novas cidades na região. Privatização - O secretário do Meio Ambiente do Distrito Federal Antônio Luiz Barbosa, disse que também está muito preocupado com os vários problemas que atingem o parque. Barbosa afirmou que esta semana vai lançar edital para terceirização de toda a coleta e processamento do lixo em Brasília, onde são recolhidas 1.800 toneladas por dia. O lixão ao lado do parque, segundo ele, vai ser totalmente desativado, reduzindo os problemas na área. Barbosa não acredita que haja pouco diálogo com o governo federal na área ambiental. O secretário afirmou que o surgimento de novas cidades nas proximidades do parque dependerá de aprovação de estudo e de relatório de impacto ambiental. O Centro de Comunicação do Exército (Cecomcex) informou que não passam de "boatos" as denúncias de que soldados estariam invadindo a área do parque para treinamento e pulando as cercas para uso das piscinas. O Cecomcex garantiu que todos os treinamentos são feitos em um campo do Exército próximo a Formosa (GO) e que há "muitas modalidades esportivas" para os soldados.