Curitiba- A projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que, este ano, o mundo registrará 10 milhões de novos casos de câncer é alarmante. Tanto quanto saber que um terço deles poderia ser evitado por meio de alimentação saudável e atividade física regular. Foi com base nessa estimativa que o oncologista Lauro Araki chamou a atenção para a importância de cuidar, desde à infância, da educação nutricional.
Uma dieta rica em fibras e frutas, com valor calórico menor e qualitativamente melhor, e pobre em gorduras saturadas pode reduzir o risco de câncer, já que assim como várias doenças, esta também pode estar relacionada à obesidade, alertou o médico. A causa do câncer, lembrou Araki, é desconhecida, mas se sabe que fatores ambientais e genéticos podem predispor a pessoa a desenvolver a doença.
De acordo com Araki, outro fator que reforça a tese de que obesidade e câncer têm relação é a maior incidência de alguns tipos da doença em pessoas que estão acima do peso como o câncer de mama, do endométrio (útero), intestino grosso e esôfago.
Para endossar, ainda, como os alimentos podem ser benéficos, Araki usou o exemplo da população da região do Mediterrâneo. Segundo ele, estudos mostraram menor incidência de doenças cardíacas e câncer entre aquela população, o que teria relação com a dieta rica em frutos do mar e azeite de oliva. Uma substância presente no tomate -o licopeno- também se mostrou eficiente na redução do risco de câncer de próstata, acrescentou o oncologista.
A alimentação adequada pode ser benéfica, também, para pessoas que já desenvolveram o câncer, tanto para melhorar a qualidade de vida do paciente como sua resposta ao tratamento. ''O paciente com câncer precisa de suporte nutricional desde quando a doença é diagnosticada'', destacou o especialista em cirurgia do aparelho digestivo, Dan Waitzberg.
Segundo Waitzberg, já foi cientificamente comprovado que pacientes que se submetem a uma cirurgia podem ter o risco de complicações pós-operatórias reduzido em até 50%, caso recebam uma dieta enriquecida com ingredientes imunomoduladores (que aumentam a resistência do organismo) entre cinco e sete dias antes da intervenção. O tempo de internação também pode ser encurtado em até três dias.
A dieta adequada também é recomendável para evitar que o paciente fique desnutrido ou agrave o quadro de desnutrição, comum entre doentes com câncer. Aqueles que estão em tratamento com quimioterapia, em geral, têm alterações de paladar e olfato e desenvolvem, por exemplo, aversão à carne ou intolerância a doces. Daí a importância de acompanhamento nutricional para subtituição de alimentos ou indicação de suplementos alimentares que reponham nutrientes necessários como carboidratos, vitaminas e sais minerais.
Waitzberg admitiu que essa é uma preocupação recente por parte dos especialistas em câncer. ''Os oncologistas se dedicavam mais a abordar o tratamento específico do câncer, mas de dois ou três anos para cá está havendo mudança de comportamento e observamos envolvimento cada vez maior na terapia nutricional'', avaliou.

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