Vida precária não abate a esperança
Curitiba- ''Estou pensando no futuro dos meus filhos. Vale a pena esperar, que uma hora a gente consegue a terra e a vida melhora'', acredita Glória Ferreira Lourenço de Toledo, 45 anos. Dona Glória, como é conhecida no acampamento da Fazenda Serrito, mudou-se para o local há cerca de um ano com o marido e três filhos. Hoje, viúva, ela só pensa em conseguir se consolidar na área para deixar a herança para os filhos. ''Se eu morrer e deixar para meus filhos estou feliz.''
Nevercina Aparecida dos Santos, 28 anos, veio para o acampamento há cerca de três meses com três filhos. Seu marido ficou em Curitiba trabalhando como pedreiro enquanto ela tenta garantir um pedaço de terra para a família. A jovem lavradora, que planta em um alqueire de terra feijão, arroz e milho, reclama das condições precárias de vida. ''A vida aqui não é fácil. Às vezes as crianças ficam uma semana sem ir para a aula porque o ônibus não vem até aqui, principalmente quando chove. E a poeira então...'', queixa-se.
A comunidade de cerca de 150 famílias dividiu a terra em pequenas lavouras, cria cerca de 200 cabeças de gado leiteiro, alguns cabritos e possui 100 cavalos. Tudo em parceria. E a intenção é expandir ainda mais, mesmo sem a certeza de que vão poder continuar no local.
A vida das famílias da Fazenda Serrito é semelhante a de todos os acampamentos espalhados pelo País. E a razão é resumida explicação de dona Glória: ''Faz 24 anos que eu e meu marido nunca paramos de lutar sem conseguir nada. Uma hora tem que dar certo.''(A.B.)





