Célia Baroni
De Londrina
Ainda hoje a maioria das mulheres encara o climatério e menopausa – processo de encerramento do período fértil – como o fim de sua vida produtiva. O preconceito é um dos principais responsáveis pela queda na qualidade de vida da mulher neste período. Ele abre a porta para o agravamento de sintomas que cuidados básicos e prevenção poderiam evitar.
O ginecologista Marcos Dias de Moura, professor e doutor pela USP, defende que o grande passo no próximo milênio é a democratização das informações sobre o tema. Para ele, todos os avanços científicos serão obsoletos se a mulher não superar este preconceito. Ele esteve ontem em Londrina para participar do Workshop ‘‘Menopausa: O Florescer da Maturidade’’, no Hotel Crystal Palace.
‘‘A mulher não deixa de ser mulher só porque não pode mais gerar filhos. O conhecimento das mudanças e esta compreensão são a base para enfrentar este período com segurança e serenidade’’, afirmou. A chave do enigma, diz o médico, é desmistificar o envelhecimento e compreender que ele faz parte do ciclo da vida. A solução é tornar este processo o mais agradável possível adotando hábitos de vida saudáveis.
O médico informou que as pesquisas na área têm evoluído e devem disponibilizar no mercado medicamentos cada vez mais eficientes e com menor índice de efeitos colaterais. Apesar deste arsenal, Marcos Moura, frisa que a utilização de medicamentos deve ser cuidadosa. ‘‘Médicos e pacientes não devem se deixar levar pela pressão da indústria farmacêutica. O medicamento só deve ser indicado quando há sintomas que não podem ser controlados de outra forma’’, orienta.
Após os 40 anos o corpo entra em uma nova fase. Na mulher há a queda da produção de hormônios (principalmente o estrogênio) importantes para o bom funcionamento do corpo. Os reflexos são o aumento dos riscos de problemas neurológicos, cardiovasculares e nos ossos. ‘‘Uma vida saudável, com atividades físicas, lazer e alimentação vão reduzir o risco e podem evitar ou protelar a necessidade dos medicamentos’’, garante.
Organizado pelo ginecologista Calvino Fernandes, de Londrina, o evento tratou temas como o envelhecimento da pele, alimentação e prevenção. Eles foram abordados pela dermatologista e professora da UEL, doutora Vera Cristina Schnitzler e a nutricionista Ilidia Takahashi.

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