'Vida normal, se tiver, é um grande lucro'
Careca, com várias cicatrizes na cabeça, mas já feliz com a diminuição da dor que a atormentava há pelo menos cinco anos - esse é o retrato de uma paciente de 40 anos, que prefere não se identificar, que passou pela cirurgia de implantação de eletrodos no cérebro há pouco mais de 40 dias.
Um acidente de carro no final de 2001, conta a paciente, causou uma lesão cervical e agravou outra na região lombar. Passou por tratamentos com medicamentos, fisioterapia e hidroterapia, além do repouso, mas a dor só aumentava. Em 2004, já estava insuportável, e, dois anos depois, se aposentou por invalidez.
A morfina, usada diariamente, já não fazia mais efeito, e outro medicamento, duas vezes mais forte, também não. ''Cheguei a gastar R$ 2 mil por mês em medicamento e fiz todos os tratamentos possíveis, mas passava o dia na cama e com uma dor insuportável, como se todo o corpo estivesse quebrado'', conta. Ela descobriu a estimulação cerebral profunda quando o procedimento era experimental. ''Pensei em entrar para o grupo, mas teria que passar um ano no Canadá e não tinha condições. Esperei que o procedimento fosse liberado no Brasil.'' E conclui: ''Sei que ainda vou ter limitações, mas espero ter qualidade de vida que me permita ir ao cinema ou ler um livro. Vida normal, se tiver, é um grande lucro''. (C.P.)





