Vida longa para quem sabe viver
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de abril de 2006
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Especialistas na área de geriatria apontam que a longevidade humana em 30% dos casos está associada a fatores genéticos. Nos outros 70%, a vida prolongada é resultado de um estilo de vida saudável (alimentação balanceada e prática de exercícios) e do ambiente onde a pessoa vive.
Segundo o médico Marcos Cabrera, professor de Geriatria no curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL), um ambiente propício à longevidade representa, entre outras condições, bem-estar psíquico. Não são apenas os fatores biológicos que contribuem para a longevidade. Outras questões a serem consideradas são a estruturação familiar, as relações pessoais, a índole, as habilidades psíquicas, aponta o professor.
Cabrera explica que um estudo da Universidade de Harvard (EUA) demonstrou que pessoas que passaram dos 90 anos de idade cumpriram alguns requisitos psíquicos: ser grato, praticar a solidariedade, saber perdoar, não parar de trabalhar, não se sentir doente mesmo estando doente, ser feliz no casamento e gostar da vida. Parece meio abstrato falar desses conceitos, mas se a ciência provou que há uma associação entre essas atitudes e a longevidade, elas devem ser consideradas, diz.
O médico acredita que a geriatria deve atentar para possibilidades psíquicas e afetivas. Ele argumenta que a medicina ainda engatinha no trabalho de orientação para o desenvolvimento destas habilidades. Os médicos recém-formados não têm preparação para enxergar e desenvolver essas possibilidades. Talvez seja o caso de mudar a formação do profissional, para que o conceito de índole associada ao envelhecimento com sucesso esteja mais presente, comenta Cabrera.
A empresária Vera Arzua Guimarães, 72 anos, explica que ela e o marido mantêm uma alimentação saudável e praticam exercícios. Entretanto, ela reconhece que isso não basta: manter-se em atividade e em harmonia um com o outro também é essencial para a qualidade de vida do casal. Nós saímos muito, viajamos. Fazemos tudo para manter um casamento feliz. É uma cooperação total. Planejamos tudo juntos, conta.
Dona Vera comenta que ela e o marido querem se manter ativos. Eu trabalho como supervisora numa empresa que distribui produtos nutricionais. Meu marido, que está com 77 anos, se aposentou, mas realiza trabalhos de fiscalização de obras em estradas. Não ficamos em casa à espera da morte, aponta ela.
A empresária comenta que o envelhecimento, para eles, foi algo natural. Lembro que, quando eu era criança, para mim uma pessoa de 35 anos era velha. Mas eu envelheci sem medo da terceira idade. Muitas pessoas com 50 e poucos anos dizem: Não posso viajar sozinho, não posso fazer isso e aquilo. Eu nunca deixei de fazer nada por causa da idade.


