DESCOBERTA EM VÊNUS -

Vida em Vênus? Pesquisador da UEL diz que onde há fosfina há vida; entenda


Vitor Ogawa - Grupo Folha
Vitor Ogawa - Grupo Folha

O professor Miguel Fernandes Moreno, astrobiólogo e coordenador do Gedal (Grupo de Estudos e Divulgação de Astronomia de Londrina), apresentou que a descoberta da molécula fosfina na atmosfera em Vênus é um indício muito forte de que pode haver vida por lá. “Se tem um ditado que diz onde há fumaça há fogo, a gente pode dizer que onde há fosfina há vida. Pode ser que estejamos enganados e foi um mecanismo abiótico que produziu a substância, já que na ciência a gente pode ser surpreendido a cada instante, mas os pesquisadores tentaram imaginar inúmeras possibilidade de ter a origem abiótica para essa fosfina e nenhuma delas gerou aquela quantidade que foi encontrada”, destacou . 

Cientistas descobriram móleculas de substância que pode indicar vida em Vênus.
Cientistas descobriram móleculas de substância que pode indicar vida em Vênus. | SSV, MIPL, Magellan Team, NASA
 


Segundo Moreno, essa possibilidade era aventada desde 1967, pelo cientista Carl Sagan e foi confirmada meses atrás, mas só agora divulgada após a realização de inúmeros ensaios. “Tem uma frase em ciência que diz: alegações extraordinárias requerem evidências extraordinárias. Essa descoberta de fosfina é uma evidência muito forte da possível existência de vida microbiana lá. Ela pode ser gerada na natureza sem evidência de vida, mas em escala muito pequena. Para ter volume maior ou é feito em laboratório, por uma inteligência, ou ela é feita pelo metabolismo de bactérias anaeróbicas, que não utilizam oxigênio”, explicou.




De acordo com o coordenador do Gedal, o próximo passo é tentar coletar amostras da atmosfera venusiana para comprovar isso. “Provavelmente veremos missões para Vênus para captar essas partículas, para poder analisá-las”, pontuou.


No entanto, ele esclareceu que o planeta é inóspito para os seres humanos em função de uma atmosfera densa e rica em gás carbônico. “Cerca de 96% da atmosfera é composta por gás carbônico e a temperatura na superfície do planeta é de 480 graus Celsius. A pressão atmosférica é 90 vezes a pressão atmosférica terrestre, e tem chuva de ácido sulfúrico.


“Embora a superfície venusiana seja inóspita para seres humanos, na atmosfera, a 45 km da superfície, tem uma zona habitável. onde não é nem muito frio e nem muito quente, que possui temperaturas em torno de 45 a 50 graus negativos. Embora seja inóspito para humanos, existem criaturas que vivem em situações extremas. Aqui na Terra mesmo vemos isso”, exemplificou.


O astrobiólogo afirmou que esses seres que vivem nessas condições se chamam extremófilos. “É um ponto da pesquisa da astrobiologia. Temos criaturas acidófilas, como as bactérias que vivem em nosso estômago;  os basófilos, que vivem em soluções extremamente alcalinas; os radiófilos, que vivem em locais de radiação grande, como na antiga usina de Chernobil, entre outros. Quando se permite ter um leque mais vasto, o universo ganha outras cores. Com essa descoberta é extremamente estimulante para quem trabalha com busca de vida fora da Terra. Muitos pensam em ETs quando se fala em vida fora da Terra, mas bactéria é vida e pode ser algo mais comum que a gente pode imaginar. A tendência é a gente migrar cada vez mais para o otimismo."


Questionado sobre o fato de Vênus ter tido um clima semelhante ao da Terra há 700 milhões de anos, ele ressaltou que se havia condições climáticas e físicas para abrigar vida, a chance de ter existido é grande. "Pode ser que tenha ficado nas bactérias e não tenha evoluído para seres pluricelulares. Se for descoberta alguma forma de vida na atmosfera venusiana, eles podem ser de seres que foram gradualmente buscando locais onde pudessem sobreviver."




Nesta segunda-feira (14), às 18 horas, o pesquisador participou de uma live no canal do Grupo Gedal (https://www.youtube.com/watch?v=Xmnywz4oqaw). Ele conversou com os pesquisadores Dimas Zaia (UEL), pesquisador em Química Prebiótica; Ivan Lima (BMSI/NASA/GRAMA), astrobiólogo com pesquisas na NASA; e Wilson Guerra (GCAA), Editor da Revista AstroNova .

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