Londres, 07 (AE-REUTERS) - Novas ondas de ataques aéreos da Otan atingiram hoje (07) Pristina, e moradores contactados por telefone disseram à REUTERS que a vida na capital kosovar é uma exaustiva luta pela sobrevivência, marcada pelo tédio e um terror constante.
"Passo a maior parte do meu tempo escondido dentro de casa. Nunca há luz elétrica à noite e algumas vezes nem durante o dia, mas temos água", disse um albanês étnico.
"Existe uma padaria funcionando na cidade, então é para lá que todos vão para conseguir pão. As lojas ainda estão sendo saqueadas, mas não há mais muitos incêndios".
Moradores falaram de uma cidade infestada de forças de segurança sérvias, incluindo polícia e unidades armadas de todo o tipo, mas não dos paramilitares sérvios temidos por sua brutalidade.
Albaneses étnicos ainda temem por suas vidas nas mãos dos sérvios na cidade, mas disseram que no momento são capazes de se mover pelas ruas da cidade à luz do dia com poucos problemas.
Não ficou claro se isto ocorria apesar ou por causa da maciça presença de forças de segurança em Pristina.
O reino de terror, que por um motivo ou outro, teria imperado na cidade em dias passados parece que agora foi amenizado, pelo menos por enquanto.
Aqueles alcançados por telefone em Pristina falaram sobre ruas repletas de estilhaços de vidros e destroços de construções.
Alguns dos destroços no centro da cidade são resultado de bombas da Otan, mas o grosso teria vindo de uma orgia de saques sérvios e vandalismo que destruiu virtualmente todos os negócios de albaneses étnicos na cidade depois que os ataques aéreos começaram em 24 de março.
O sistema telefônico em Kosovo foi tão danificado pelas bombas da Otan que muitos dos que ainda vivem em Pristina dizem que gastam várias horas diariamente tentando, normalmente sem sucesso, por telefone descobrir o paradeiro de familiares e amigos desaparecidos.
"Não consigo qualquer informação sobre meus parentes", disse um residente de Kosovo que tem familiares na parte ocidental de Kosovo, nas proximidades da fronteira com a Albânia.
"Acho que provavelmente significa que eles estão bem. São as más notícias que viajam rápido hoje em dia".
A população de Pristina de cerca de 200.000 habitantes teria aumentando para 250.000 ou mais logo depois dos primeiros ataques da Otan quando os albaneses étnicos - uma maioria antes da guerra de 90% em Kosovo - fugiram do interior para a capital.
Muitas dezenas de milhares desse número fugiram então de Pristina ou foram forçados a sair por forças de segurança sérvias. Alguns foram enfiados em trens que os levou para o sul para a fronteira com a Macedônia ou para oeste para a Albânia.
Outros partiram de carro, trator ou a pé. Aqueles que alcançaram a Albânia foram bem recebidos, mas a Macedônia, preocupada com o aumento de sua própria intraquila minoria albanesa étnica, tem feito o que pode para conter o fluxo.
Moradores de Pristina disseram que na segunda-feira três trens cheios de pessoas da cidade foram mandados de volta antes de alcançarem a fronteira da Macedônia e seus ocupantes retornaram à capital.
Os combustíveis estão sendo racionados na cidade, um sinal de que os ataques da Otan contra refinarias e depósitos em toda a Iugoslávia estão produzindo resultados, relataram moradores.
Mas a escassez não é tão grande a ponto de os combustíveis serem destinados apenas às forças de segurança, um sinal de que a Otan ainda tem algum trabalho pela frente para alcançar seus objetivos militares.

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