''Maria Bonita rompeu várias barreiras culturais e com leis do sertanejo. Era uma mulher casada que abandonou o marido para fugir com um homem que vivia à margem da lei. Se isso é complicado hoje, imagina naquela época'', ressalta o historiador e autor de seis livros sobre o Cangaço, o pernambucano João de Sousa Lima, que trabalha no Museu Casa de Maria Bonita, em Paulo Afonso (BA).
Ele cita que Maria Bonita não intencionava tornar-se referência para as mulheres de sua época, porque era muito menina quando foi viver com Lampião. ''Em princípio, ela talvez procurasse ter aquela vida diferenciada do cangaceiro - que andavam com roupas vistosas, tinham bons perfumes, circulavam cheios de anéis e correntes de ouro - em relação à vida sofrida de sertaneja.'' ''Entrevistei uma cangaceira que disse que a vida no cangaço parecia carnaval. As vestimentas eram diferentes, o chapéu era vistoso, tinha muitas festas, muito ouro'', completa o historiador.
Mas, uma vez no bando, nem tudo era deslumbramento. As mulheres perambulavam diuturnamente pela caatinga para fugir de emboscadas e, ainda que a grande maioria delas não pegasse em armas, acompanhavam os homens nos ataques às fazendas e cidades.
Também não podiam criar os filhos que pariam. ''A pior coisa para elas era ter filhos e não poder criá-los. Geralmente, elas passavam a criança com poucos dias de vida para algum padre, um fazendeiro rico ou um familiar'', conta Lima. Maria Bonita, por exemplo, teria sofrido um aborto, foi mãe de um natimorto e teria tido mais um casal, que não foi criado por ela.
Mesmo assim, Maria Bonita nunca abandonou nem traiu Lampião. ''Ela era uma mulher muito compenetrada, de gênio muito forte. Quando não gostava de alguém, colocava apelidos depreciativos e os denegria para Lampião, a quem nunca traiu e ao lado de quem morreria como cangaceira.'' (L.A.)

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