VIDA de cão -Doenças humanas atacam os bichos de estimação
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sábado, 26 de fevereiro de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Refeições exageradas, guloseimas a toda hora e falta de atividades maus hábitos de humanos tem espaço também entre os animais de estimação. A consequência são cães e gatos obesos e com doenças mais comuns entre seus donos diabetes, artrose, problemas de pele e respiratórios. E não são só essas ''doenças humanas'' que atingem os companheiros de quatro patas. Animais domésticos também estão sujeitos a problemas cardiovasculares, câncer, estresse e até depressão.
Segundo a médica veterinária Martha de Domenico Oehlmeyer, de Londrina, apesar da maioria das pessoas não saber, o metabolismo parecido com os humanos leva os bichos a terem doenças semelhantes. Quando a São Bernardo Hanna, por exemplo, precisou passar por uma cirurgia, a funcionária pública, Marisa Aparecida Soares, levou um susto. ''Ela estava com uma inflamação no útero e teve que tirá-lo. A gente não imagina que acontece isso com um cachorro''.
No caso da obesidade, os maus hábitos dos bichos, mas principalmente de seus donos, contribuem para isso. Ela e outros especialistas condenam a idéia de que a gordura é sinal de boa saúde e alertam para a mania de dar guloseimas aos animais.
A diretora em exercício do Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), professora Suely Nunes Esteves Beloni, explica que, apesar de não haver estatísticas, o número de animais obesos aumentou consideravelmente, constatação feita nos consultórios médicos. ''Isto porque as pessoas estão morando em espaços cada vez mais restritos, e mantendo os animais mais tempo dentro de casa, sem fazer exercícios. As rações também estão com sabores cada vez mais agradáveis'', enfatiza.
A relação próxima do animal com o dono, segundo Suely, o torna ''uma pessoa da família''. ''Aí acontece o que a gente chama de 'tecoterapia'. A pessoa vai comer uma bolacha e dá um 'teco' para o cachorro, vai tomar café da manhã e dá outro 'teco'. Agora imagina cada um da família dar um pedaço do que come? O animal vai adquirindo os hábitos das pessoas da casa, principalmente os cães. Já os gatos são mais independentes'', alerta a doutora em clínica médica e animais de companhia, lembrando que não é difícil encontrar cachorros ''viciados'' em biscoito, chocolate e sorvete.
Suely alerta que donos de animais estão usando as guloseimas como uma forma de ''compensar sua ausência''. ''O dono passa o dia fora e quando chega, para fazer um agrado, dá um biscoito. Ou, para os gatos, leva uma ração úmida. É uma forma de compensar a ausência, assim como acontece com os filhos'', afirma. Os cães, aponta a professora, são ''extremamente gulosos'' e mesmo com o estômago cheio não recusam mais comida ou guloseimas.
No caso dos gatos a castração é o principal fator que leva à obesidade. A intervenção, segundo Suely, é feita para evitar o acesso do animal às ruas. Ela explica que a castração é benéfica, pois é um controle do número de animais, evitando nas ruas as situações de atropelamento e intoxicação. Por outro lado, explica Martha, o bicho, que por si só já é preguiçoso, fica menos ativo, ao deixar de procurar ''namoradas''. E, ao deixar de sair, ainda perde o hábito da caça, uma das maneiras que tinha de fazer exercícios. ''Por isso é importante brincar com o gato, esconder brinquedos'', enfatiza Suely.
A própria evolução da medicina veterinária, aponta Suely, é um fator que implica em doenças e obesidade. ''Como a medicina veterinária está bem mais avançada, os animais acabando vivendo mais e aparecem mais doenças por causa da idade'', explica.


