Brasília- A vida das crianças brasileiras melhorou nos últimos cinco anos. O relatório Situação da Infância Brasileira, divulgado ontem pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mostra que, apesar de ainda estar longe do ideal, o País melhorou. Há mais meninos e meninas na escola e protegidos por vacinas, mais mães que fazem exames pré-natais e pais com melhor escolaridade. São Paulo passou a ser o Estado com melhores condições para as crianças. Mas, em 1.350 municípios, a situação das crianças ainda é precária.
O Unicef refez este ano o cálculo do Índice de Desenvolvimento Infantil (IDI), iniciado em 1999. Levando em conta quatro indicadores sociais diretamente ligados à infância - escolaridade dos pais, matrícula na pré-escola, índice de vacinação e número de consultas pré-natal - hoje o País tem um IDI de 0,67 (quanto mais próximo a um, melhor), o que significa uma situação média, como era em 1999.
É olhando nos detalhes que se verifica a melhoria. A mortalidade infantil, nesses seis anos, caiu 32,6%, de 39,5 por mil nascidos vivos para 26,6 por mil. De 1995 a 2002, a proporção de mulheres que não fizeram nenhuma consulta pré-natal diminuiu quase dois terços e o índice de crianças nascidas de pais com menos de quatro anos de estudo passou de 60% para 53% no Nordeste.
Há seis anos, 40% dos municípios brasileiros tinham um IDI abaixo de 0,50. Hoje, são apenas 25%. Em 1999, o Brasil tinha sete Estados em situação ruim e nenhum com IDI considerado alto. Hoje, apenas Alagoas continua nesta situação. São Paulo atingiu um IDI de 0,80, o maior do País.
A melhor notícia do relatório do Unicef é que a situação melhorou mais onde era realmente ruim. Norte e Nordeste, as regiões com indicadores mais problemáticos, foram as que mais melhoraram: 14,6% e 15,9%, respectivamente, enquanto o Sudeste teve um avanço de 7% e o Sul, de 8,1%. ''O nível que o Brasil melhorou mostra um redução da pobreza. Nós consideramos como pobreza não só a renda, mas o acesso aos serviços básicos. Por isso essa é uma ótima notícia. Mostra que as regiões mais pobres estão conseguindo avançar'', disse a representante do Unicef no Brasil, Marie-Pierre Poirier.
Entre os 10 Estados que tiveram maior avanço, todos são no Norte e no Nordeste. Mesmo Alagoas, o único que ainda tem um IDI baixo, conseguiu avançar 16,7% nesses seis anos. Os 10 municípios que melhoraram mais - todos mais de 200% - também estão nos Estados mais pobres. Jordão, no Acre, que aparecia entre os últimos lugares, melhorou 576,3%. Queimada Nova, no Piauí, 208%.
No entanto, ainda estão no Sul e no Sudeste os municípios com melhor perspectiva de vida para as crianças. Dos 10 melhores, três estão no Rio Grande do Sul, um em Santa Catarina e seis em São Paulo. Entre os 10 piores, todos estão no Norte e no Nordeste, sendo quatro no Amazonas e três no Piauí.

mockup