São Paulo, 31 (AE) - O vereador Vicente Viscome (sem partido) apresentou-se hoje à Corregedoria da Polícia Civil, às 20h15. Os delegados da Divisão de Registros Diversos (Dird) foram avisados por volta das 20h30. O vereador chegou à corregedoria em carro próprio, vestindo roupa esporte. Ele estava com prisão decretada e foragido havia 22 dias.
Ele apresentou-se depoimento ao diretor da Corregedoria da Polícia Civil, Oduvaldo Mônaco, em uma sala no 5º andar do prédio, na Rua Venceslau Brás, no centro. Dois advogados estavam no local, mas não confirmaram se vieram com ele.
A primeira informação era de que Viscome permaneceria na corregedoria. Após conversa entre os delegados, ficou decidido que ele seria levado ao Dird ainda hoje para prestar depoimento. Depois disso, ele voltaria para a corregedoria, onde passaria a noite.
Ainda hoje, o vereador passaria por exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal, uma exigência de praxe. As 22h15 ele saiu da corregedoria em direção ao Dird. Todo de branco, mais magro e a barba bem aparada, estava acompanhado de uma advogada. Ao ver o batalhão de fotógrafos, cobriu a cabeça com um pano rosa. Ele não estava algemado.
Um dos advogados de Viscome, Sidney Rodolfo Machado, disse que não esperava que seu cliente fosse tomar a decisão de se entregar. Ele acha que a atitude pode ajudar em sua defesa.
Machado informou que mantinha contatos diários por telefone com o vereador, mas não sabia onde ele estava escondido. Por volta das 22 horas, o promotor José Carlos Blat chegou ao Dird. Ele não soube informar se houve algum tipo de negociação para que Viscome se apresentasse hoje. "O Ministério Público não negocia com presos", afirmou Blat.
O delegado Naief Saad Neto também foi pego de surpresa. Segundo o promotor, essa será a oportunidade de Viscome se defender das acusações que vem sofrendo. O vereador estava foragido desde o dia 9. Segundo Blat, serão acrescentadas novas informações no inquérito que investiga a suposta cobrança de propinas por fiscais da AR-Penha.
CPI - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais pretende ouvir o vereador Vicente Viscome antes de terminar o relatório parcial sobre o esquema de corrupção montado na Administração Regional da Penha. Os parlamentares que integram a comissão começaram a analisar a questão às 21h30 de hoje, logo após a confirmação de que Viscome havia entregado-se à polícia.
O presidente e o relator da CPI, José Eduardo Martins Cardozo (PT) e Milton Leite (PMDB), conversaram por telefone por volta das 22 horas. Eles discutiram a possibilidade de convocar uma sessão extraordinária da CPI, na qual seria tomado o depoimento de Viscome.
Viscome foi convidado publicamente duas vezes para depor na CPI e defender-se das acusações feitas pela sua namorada e ex-assessora, Tânia de Paula, e por ex-funcionários da AR-Penha. Entregou um atestado médico assinado por um ginecologista para justicar o não-comparecimento. (Colaboraram Flávio Mello e Marcelo Godoy)

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