São Paulo, 25 (AE) - O vice-prefeito Régis de Oliveira (PMN) tem prontos os nomes de todo o secretariado caso assuma a Prefeitura esta semana, mas não sabe o que fazer com bandeiras do malufismo na Prefeitura, como o Sistema Integrado Municipal de Saúde (Sims) e o Veículo Leve Sobre Pneus (VLP), o fura-fila. Ele disse que não sabe se é o fim da "era Maluf" na administração da cidade e aceita, em um governo de "consenso", conversar com o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). "Não para compor o secretariado", disse. "Se for necessário para uma viabilidade política na Câmara, sim."
Hoje de manhã, Régis falou por quase duas horas "em hipótese" sobre seu futuro como prefeito e possível candidatura à reeleição. E já fala em renegociar a dívida do Município com o governo federal. "Vamos conversar com o presidente da República
com o governador e com todos que possam ajudar São Paulo."
O vice-prefeito aguarda ser notificado pela Câmara que é de fato, salvo decisão judicial contrária, o prefeito de São Paulo. O presidente da Casa, Armando Mellão (PMDB), para quem solicitou a definição formal de sua posse na segunda-feira, foi outro político que ele evitou criticar. "Não posso escolher", disse. "Ele é o presidente da Câmara e por isso lhe devo respeito."
Régis disse que já tem os nomes do secretariado porque, como vice, precisa estar preparado "para qualquer eventualidade". Ele não viu contradição com o fato de ainda não ter definido os rumos da administração até dezembro. "Estava afastado da Prefeitura", disse, apesar de ter uma sala na Secretaria da Administração.
Mesmo sem tratar de medidas concretas, Régis anunciou a educação como "prioridade número 1" e prometeu abrir negociações com os perueiros, responsáveis por vários conflitos hoje na cidade. "Hoje temos uma administração solta."
"Amor" - O vice-prefeito definiu a moralização como um dos pilares da sua eventual gestão, mas descartou uma retaliação ao prefeito afastado Celso Pitta (PTN), por ter perdido espaço em sua administração. "Não penso em fazer devassa nessa gestão", disse. Ele citou uma frase do deputado Ulysses Guimarães: "Política se faz com amor, não com ódio." Régis prometeu "voltar a instalar" a Corregedoria do Município
ainda em funcionamento, e repetiu uma frase proferida várias vezes por Pitta: "As portas da Prefeitura estarão abertas para o Ministério Público e para polícia."
Outra frase dita inúmeras vezes pelo prefeito, sobre as indicações de políticos a cargos municipais, foi enunciada hoje por Régis. "Não vejo problema em aceitar indicação política, desde que eu examine o currículo e a pessoa seja capacitada para o cargo." Como Pitta, ele disse que não aceitará o controle das Administrações Regionais pelos vereadores. Régis disse que, quando assumir, a definição do novo secretariado deverá levar "três ou quatro dias". Sobre reforma de outros postos-chave na administração, a reportagem citou o caso do diretor do Departamento de Materiais da Secretaria da Administração, Marcelo Daura, réu do frangogate, casado com uma sobrinha de Maluf. Ele resistiu a oito secretários e, segundo um deles, tem poder maior que o titular da pasta. "Todos os cargos importantes serão trocados", disse Régis.
Posse - O vice-prefeito sugeriu a Mellão que, por força do artigo 58 da Lei Orgânica do Município, haja um ato formal na Câmara, sem cerimônia, para que ele assuma a Prefeitura. Os promotores que pediram o afastamento de Pitta consideram esse ato desnecessário. Régis alega que ainda há a chance de Pitta ser reconduzido à Prefeitura. "Seria ridículo assumir o cargo para perdê-lo na segunda-feira."
Régis descartou a hipótese de discutir sua reeleição, mas não a de ser candidato ao Senado. Seu assessor jurídico, Jaime Carozzi Aguiar, não despista: "Ele é um candidato potencial à Prefeitura, não tem sentido mais ele ser vice de alguém." Segundo Régis, o PMN fez articulações para coalizão com o PHS, o PRT, o PGT e o PT do B. "Os partidos grandes já têm candidatos próprios."