São Paulo, 25 (AE) - Esta não é a primeira vez que o vice-prefeito Régis Fernandes de Oliveira (PMN), de 56 anos, vislumbra a chance de substituir o prefeito Celso Pitta (PTN). Em abril de 1998, quando o bloco dos vereadores "rebeldes" exigia a renúncia de Pitta - meio de pressioná-lo a entregar-lhes o comando das administração regionais -, Régis afirmou que estava apto a assumir o cargo.
Após ter sido "despejado" de seu gabinete, o vice voltou ao cenário político num churrasco patrocinado pelo vereador Ivo Morganti, então no PFL. Na ocasião, deixou claro o apoio aos "rebeldes".
Os desentendimentos entre o vice e Pitta começaram no início do governo. Régis nunca escondeu que queria uma pasta com poder político, na qual pudesse tornar viável uma futura campanha ao governo ou à sucessão do prefeito. Na montagem do primeiro escalão, contudo, teve de aceitar a Secretaria da Educação, que recebeu repasses de verba mínimos no início da gestão.
O vice deixou vazar um ofício no qual alertava a Secretaria das Finanças sobre as penalidades legais por não cumprir a determinação de transferir 30% do Orçamento para o setor. Foi demitido.
"Ombudsman" - Em maio de 1998, a animosidade entre os dois parecia ter amainado. O prefeito devolveu a Régis o gabinete e as atribuições de vice. Régis interpretou o ato como demonstração de "arrependimento por um erro político". Disse que voltava ao governo como uma espécie de "ombudsman" da população. A trégua durou pouco - até o vice ameaçar preparar relatórios sobre eventuais problemas nas regionais, escolas e unidades da Secretaria de Esportes e do Plano de Assistência à Saúde (PAS).
No ano passado, Pitta criou para Régis o cargo de ouvidor da Prefeitura, no auge das denúncias da Máfia dos Fiscais. Ao denunciar a corrupção existente em alguns setores, o vice foi exonerado do cargo.