Vice-presidente do BID visita favelas no Rio
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domingo, 05 de dezembro de 1999
Por Rodrigo Mattos (especial para a AE) 
Rio, 05 (AE) - A vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a norte-americana Kathleen Burke Dillon, visitou hoje três favelas na Tijuca, zona norte, onde está sendo implantado o projeto Favela-Bairro da Prefeitura do Rio, que tem financiamento do banco. Animada, Kathleen bateu bola no Morro do Cruz, passou pela Chacará do Céu e sambou na Rua São Miguel, descida do Morro do Borel.
A norte-americana elogiou o Favela-Bairro, que ganhou um prêmio do BID e levou o banco a financiar projetos similares no Brasil e no exterior. O Habitar Brasil, que vai beneficiar 80 municípios em todo País, contará com um financiamento de US$ 250 milhões do BID, em quatro anos. Kathleen explicou que já estão sendo desenvolvidos projetos inspirados no modelo carioca em áreas pobres da Argentina e do Uruguai. "O Brasil está na liderança nesse tipo de projeto e é um exemplo para o mundo", garantiu Kathleen.
O delegado regional do BID, Ricardo Santiago, explicou que o contrato de financiamento do Habitar Brasil foi aprovado em agosto. Experiências piloto já estão sendo realizadas na Baixada Santista, nos municípios de Santos e Bertioga. Ao contrário do Favela-Bairro, o projeto foi acertado com o governo federal, que
a partir daí, faz convênios com as prefeituras.
O principal critério para escolha dos municípios que serão beneficiados pelo Habitar Brasil será a capacidade de cada prefeitura de complementar o financiamento do BID. A realização do Favela-Bairro, por exemplo, só foi possível porque a Prefeitura carioca tinha recursos para investir. Segundo um integrante do BID, que não quis se identificar, o mesmo não poderia acontecer em São Paulo, pois "a Prefeitura paulista está falida".
O cumprimento dos prazos também é importante, pois o contrato de expansão do Favela-Bairro, que prevê um financiamento do BID, só foi assinado porque a primeira etapa foi concluída dentro do cronograma previsto. Na primeira fase, de um total de US$ 300 milhões, para investimento em 75 favelas, o BID desembolsou US$ 180 milhões e a Prefeitura, o restante. A segunda etapa vai atender a 73 favelas, com US$ 100 milhões da Prefeitura e US$ 200 milhões do banco.
Samba - Acompanhada do ministro de Orçamento e Gestão, Martus Tavares, Kathllen Dillon chutou uma bola no Morro da Cruz, enquanto os moradores cantaram "Parabéns para você" e gritavam o nome do BID. No Borel, a norte-americana sambou ao lado dos passistas da Unidos da Tijuca e ensaiou passos acompanhada do mestre-sala da escola de samba. "Aprendi um pouco de samba, mas ainda falta um pouco de molejo", brincou Kathleen.


