Brasília, 06 (AE) - O vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário, senador Carlos Wilson (PSDB-PE), contestou hoje os argumentos usados pelo corregedor-geral do Tribunal de Justiça (TJ) do Amazonas, desembargador Daniel Ferreira da Silva, para se defender das acusações de vender alvarás de solturas a traficantes de drogas que estavam na cadeia. Em carta enviada ao jornal "O Estado de S. Paulo", o desembargador disse que foi apurado em sindicância interna que o diretor da Divisão Judiciária do tribunal, Antonio Carlos Santos dos Reis, falsificava a assinatura dele. Wilson lembrou que essa versão foi desmentida pelo procurador da República Osório Barbosa Sobrinho e pelo advogado Abdalla Isaac Júnior, ouvidos ontem (05) pela comissão.
Ele apresentaram um laudo pericial em que a Polícia Federal (PF) assegura que a assinatura dos alvarás "não partiu do punho" de Reis. O procurador explicou à CPI que o Ministério Público (MP) é impedido de pedir aos desembargadores que se submetam a um teste grafotécnico, pela Lei Orgância da Magistratura. Mas a CPI, segundo Wilson, vai pedir ao desembargador que faça o teste. "Vamos pedir a ele o exame grafotécnico", afirmou.
Para o presidente da comissão, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), o próprio Silva deve tomar essa iniciativa. "Se ele está dizendo que a letra não é dele, como juiz, deve ser o primeiro a querer fazer o teste", afirmou. O desembargador e o advogado disseram à CPI que é falsa a informação de que o diretor da Divisão do Judiciário foi afastado do cargo, ou punido, depois de ser apontado como o falsificador da assinatura do desembrgador. "O funcionário do tribunal foi usado", afirmou Isaac Júnior.
Eles também lembraram que o foragido da Justiça Charles Rodrigues, acusado de traficar drogas, em carta encaminhada à Procuradoria da República no Amazonas, contou que pagou R$ 21 mil para obter um alvará de soltura e que o dinheiro foi levado pela mulher, Mary Vânia, e pela tia dele Maria Guadalupe à casa do desembargador, conforme determinação recebida da advogada Maria José Menescal Vasconcelos. Ela é acusada de intermediar a venda dos alvarás. O traficante fugiu da cadeia, depois que a advogada lhe avisou que a liminar de soltura havia sido cassada, "por causa de briga de poderes no tribunal".
O relator da CPI, senador Paulo Souto (PFL-BA), pediu que sejam ouvidos pela PF em Manaus cinco citados na suspeita de venda de alvarás, entre eles Maria José e Reis.

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