Brasília, 05 (AE) - O vice-presidente da Braspetro, José Coutinho Barbosa, será o presidente interino da Petrobrás até o próximo dia 16, quando se realizará a Assembléia Geral Extraordinária (AGE) da estatal, que escolherá os novos diretores da empresa.
O presidente Fernando Henrique Cardoso assinou hoje (05) à noite os decretos de exoneração de Joel Mendes Rennó como presidente da empresa e o de indicação de seu substituto interino. O decreto será publicado na próxima segunda-feira.
A escolha de Barbosa foi decidida no início da noite de hoje em uma conversa telefônica entre o presidente da República e o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho. "Ele é um homem com muita experiência e funcionário de carreira da Petrobrás", explicou Tourinho. A Braspetro é o braço internacional da Petrobrás, e atua em 10 países.
No início da noite, Barbosa foi localizado pela assessoria do ministro no Rio de Janeiro e, em um telefonema para o ministro, que já se encontrava na Casa Civil da Presidência da República, aceitou o cargo.
O sucessor definitivo de Rennó, de acordo com o ministro, poderá ser conhecido antes do dia 16. Segundo ele, os nomes do novo presidente da diretoria executiva e do Conselho de Administração, cargos acumulados por Rennó, e dos novos diretores e dos conselheiros, ainda estão sendo estudados. O perfil do novo presidente, segundo ele, já está definido.
"Deverá ser necessariamente um executivo, com experiência na área do governo ou de grande empresa, e com boa ligação com o governo", explicou. O ministro admitiu que o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros se encaixa neste perfil, mas reafirmou que não o convidou para assumir a presidência da empresa.
Segundo assessores do ministro, antes de falar com Tourinho, às 18 horas de hoje, Rennó procurou conversar primeiro com o presidente Fernando Henrique, que não o atendeu. O presidente mandou um recado pedindo que ele se dirigisse ao ministro da área.
Em uma conversa rápida, Rennó comunicou ao ministro sua decisão, informando que já havia feito pedido semelhante duas vezes no final do ano passado ao ex-ministro Raimundo Brito. "Eu nunca deixei de aceitar a demissão de ninguém", disse Tourinho, que admitiu ter sido pego de surpresa pelo pedido de Rennó.
Depois da conversa telefônica, o ministro recebeu por fax o pedido de demissão por escrito, de duas laudas, tendo em anexo a carta de três laudas enviada no ano passado por Rennó a Raimundo Brito.
Na opinião do ministro, a decisão do ex-presidente da Petrobrás pode ter sido motivada pela proximidade da AGE que irá mudar o estatuto da empresa. "Ele conhece as razões da saída dele", afirmou o ministro.
"Mas é natural o pedido de demissão de um profissional, são contigências da vida", disse.
O cronograma já anunciado de assembléias da empresa (a extraordinária dia 16, para eleição do conselho e mudança no estatuto, e a ordinária para aprovação do balanço de 1998 dia 23) não será alterado com a saída de Rennó.
"Vamos eleger o novo conselho e separá-lo da diretoria executiva e fazer tudo como está preparado", afirmou o ministro
que viaja hoje para uma visita a Santa Catarina.
O ministro disse que Rennó poderia se manter como presidente da diretoria da empresa depois da AGE. "Ele até poderia ficar se fosse a decisão da assembléia e a vontade do Presidente da República", afirmou.

mockup