São Paulo, 27 (AE) - O vice-prefeito de São Paulo, Régis de Oliveira, concedeu entrevista coletiva após gravação do programa "Raul Gil", da tevê Record. Sobre a decisão do desembargador Hermes Pinotti, ele acredita que foi uma medida correta e sensata, num momento apropriado.
"Ele tinha que tomar essa decisão, pois houve um problema jurídico. Segundo Oliveira, com esta medida, o desembargador pacificou o problema, mas ainda é uma medida precária, singular.
"A decisão definitiva será consequência do agravo de instrumento, processo que pode durar de dez dias a dois meses."
Rebatendo a crítica de Celso Pitta, que achou a posição do vice-prefeito precipitada, quando disse que se assumisse a Prefeitura afastaria todo o secretariado, Régis de Oliveira afirmou que não fez nenhuma denúncia, nem acusação pessoal e muito menos entrou com uma ação.
"Foi o Ministério Público que fez. O que acontece é que quando um fato explode na mídia, com a liminar de um juiz afastando o prefeito, é natural que eu me prepare para uma eventualidade."
O vice-prefeito declarou que juridicamente, em sua visão, o prefeito é Celso Pitta.
"Pergunto: onde está a precipitação? Caso houvesse a posse, eu disse que tiraria o secretariado, mas não fiz nenhuma declaração que pudesse causar qualquer tipo de problema a quem quer que seja."
Para Oliveira, o ridículo e afobado seria tomar outra atitude, como assumir o cargo na Prefeitura. "Mas eu não fiz isso." Apesar dessas afirmações, ele garantiu que já tem os nomes de uma possível equipe básica, caso aconteça alguma eventualidade.
Ele afirmou que não foi procurado por nenhuma pessoa ligada a Paulo Maluf e que irá conversar apenas com as lideranças da Câmara dos Vereadores para tentar compor uma base de sustentação que permita a governabilidade. "Se houver algum confronto, será pior para São Paulo. Procurarei as lideranças da Câmara, pois acima de interesses pessoais, estará o interesse da cidade."
Questionado sobre a possível candidatura à reeleição, ele afirmou que em tese não é candidato e que essa decisão não será tomada de imediato. "De que me adianta sair candidato sem ter qualquer tipo de estrutura política e financeira. Quando eu coloco que estou tentando viabilizar minha candidatura, não estou afirmando nada. Se ocorrer, dedicarei exclusivamente à Prefeitura."
Ele garante que nenhum partido político dos grandes o procurou para qualquer tipo de conversa. "Posso garantir, mas não sou bobo e por isso estou mantendo alguns contatos telefônicos, consultando algumas pessoas para já ter algo estruturado. Isso é absolutamente natural. Seria muita inocência da minha parte não fazer isso."
Sobre o possível envolvimento de seu nome no caso dos perueiros, Régis de Oliveira afirmou que não recebeu nenhum documento ou procuração, nem a favor ou contra os perueiros. "Não tem nenhuma ação que envolva os perueiros em que meu nome esteja envolvido. Não é verdade qualquer tipo de envolvimento nesse caso."
O vice-prefeito gravou participação no quadro "Para quem você tira o chapéu", no programa do Raul Gil, da tevê Record. Ele não tirou o chapéu para a ex-primeira dama de São Paulo, Nicéa Camargo. "Não tiro o chapéu para Nicéa porque ela deu algumas declarações sobre a minha pessoa que são inverídicas", declarou Oliveira.
Admitiu, por outro lado, que as denúncias feitas pela ex-mulher de Celso Pitta foram úteis. "Reconheço a participação dela (Nicéa) no processo, já que antes só haviam rumores sobre as irregularidades", afirmou.
O vice-prefeito de São Paulo também não tirou o chapéu para Celso Pitta. "Ele (Pitta) colocou São Paulo em uma situação trágica em que os paulistanos perderam o prazer de viver em nossa cidade", disse.

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