São Paulo, 26 (AE) - Embora a decisão judicial que suspendeu o afastamento do prefeito Celso Pitta (PTN) tenha frustrado os desejos do vice-prefeito Régis de Oliveira (PMN) em assumir a Prefeitura de São Paulo, ele não esconde que o processo desencadeado com as denúncias da primeira-dama Nicéa Pitta o ajudou em suas pretensões políticas.
Hoje à tarde, depois de uma entrevista ao programa de televisão Fui... Ao Vivo, da CNT/Gazeta, Régis reafirmou sua intenção de concorrer nas próximas eleições municipais. "Para mim, tudo isso veio numa hora politicamente maravilhosa", disse. "Se até as convenções para indicação de candidatos, no mês de junho, eu me estruturar, fizer boas alianças e conseguir recursos financeiros, serei candidato a prefeito."
Confiante, ele vai mais longe. Ao comentar a possível disputa entre as candidatas de esquerda Luiza Erundina (PSB) e Marta Suplicy (PT), Régis revela que, apesar de considerar-se um homem de centro-esquerda, vai buscar eleitorado em todas as esferas políticas. "Suponho que poderei ser um centro aglutinador de diversos interesses e segmentos sociais."
Sem frustração - Especificamente sobre a volta de Pitta ao Palácio das Indústrias, o vice-prefeito comentou que não se sente frustrado. "Eu me sentiria mal se tivesse tomado posse no sábado, mas aprendi em 31 anos de janela no Judiciário que é preciso ser prudente e cauteloso."
Segundo ele, no entanto, a decisão do desembargador Hermes Pinotti foi uma derrota para a população paulistana e para toda a comunidade que já percebeu que a cidade está sem comando e esperava alterações em sua vida política.
"É uma fatalidade, mas tudo faz parte do jogo da Justiça", afirmou. "De minha parte, vou cuidar da vida, prosseguir nos meus trabalhos sociais e continuar à disposição: fico na expectativa de que os fatos evoluam, torço para que o prefeito subsista na Prefeitura, mas, se for chamado, estarei absolutamente preparado."
O vice-prefeito também aproveitou o programa apresentado por Eri Johnson para tirar dúvidas de espectadores, lembrar fatos de sua carreira e lançar frases de efeito. Numa delas lembrou que, em outros países, pessoas envolvidas em casos de corrupção ou matam-se ou renunciam. No Brasil, porém, continuam no poder e suas condenações pela Justiça demoram muito a vir.
Poucos minutos depois, revelou que atualmente um vice-prefeito não tem nada o que fazer na Prefeitura e foi aplaudido ao afirmar que não partilha das idéias do governo Pitta e rompeu com ele em boa hora.
Aproveitando a notoriedade, Régis continuar a peregrinação por programas de auditório. Assessores revelaram que hoje ele vai participar de gravação no programa comandado por Raul Gil, na TV Record.
Claque - No sábado, durante entrevista coletiva convocada às pressas para aproveitar a oportunidade de promoção, Régis foi personagem de uma cena constrangedora. Assessores seus se misturaram aos jornalistas e passaram a fazer perguntas que possibilitassem ao vice um desempenho de candidato já em plena campanha. O entusiasmo foi tanto que um dos organizadores teve de tomar o microfone e pedir aos presentes para que deixassem as perguntas para serem feitas apenas pelos jornalistas. Os penetras insistiam em perguntar sobre detalhes do programa de Oliveira para governar a cidade nos sete meses restantes do mandato de Pitta. Causou estranheza aos profissionais o fato de Oliveira ter sido saudado com uma longa salva de palmas, pois aplaudir entrevistados não é parte da prática jornalística.