Vice-ministro dos EUA diz que Brasil terá de negociar cota de carne na OMC
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quarta-feira, 27 de outubro de 1999
Por Renato Andrade 
Salvador, 28 (AE) - O Brasil não terá uma cota específica para exportação de carnes in natura para os Estados Unidos dentro de um curto espaço de tempo, como desejado pelo Ministério da Agricultura. A aprovação, por parte do governo norte-americano, do sistema brasileiro de controle de risco de doenças permitirá, inicialmente, que o Brasil dispute uma participação dentro da cota anual de 65 mil toneladas de exportações estabelecida para que alguns países possam vender as carnes frescas no mercado dos Estados Unidos.
"Se o Brasil quiser uma cota específica, após a aprovação de suas exportações, ele terá de fazer como a Argentina e negociar esta cota durante a próxima reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC)", disse hoje o vice-ministro da Agricultura dos Estados Unidos, Richard Rominger.
O ministro da Agricultura do Brasil, Pratini de Moraes, insiste que o assunto deve ser tratado em negociações bilaterias
e não durante a reunião da OMC - a Rodada do Milênio - que acontece a partir do fim de novembro em Seattle (EUA). Rominger, no entanto, considera a Rodada do Milênio como o ambiente perfeito para estas negociações.
"Durante a reunião da OMC, nós manteremos diversos contatos com diferentes países e, com isto, nós poderemos balancear vários assuntos; mas é claro que as negociações serão feitas de forma bilateral", disse o vice-ministro de Agricultura dos Estados Unidos, que participa em Salvador da décima reunião ordinária da Junta Interamericana de Agricultura, evento promovido pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (Iica).
Rominger lembrou que a única definição estabelecida pelo governo norte-americano é o volume máximo anual de exportações de carne fresca desta cota - 65 mil toneladas. "O que chegar primeiro venderá primeiro", disse.
Rominger lembrou que, nos últimos dois anos, pouco mais de um terço da cota foi realmente exportado para os Estados Unidos. O sub-secretário para Assuntos Internacionais do Departamento Americano de Agricultura (Usda), James Schroeder, que também participa em Salvador da reunião da Junta Interamericana de Agricultura, ressaltou que o governo brasileiro poderá buscar a definição de uma cota específica paralelamente à entrada na cota comum, caso tenha o sistema de controle aprovado pelo governo dos Estados Unidos.
Em contrapartida, Rominger afirmou que os norte-americanos irão querer uma maior colocação de trigo no Brasil. "Temos outras classes de trigo que poderemos começar a exportar para cá", disse. Atualmente, os Estados Unidos exportam apenas trigo duro para o Brasil.
A posição a ser defendida pelos Estados Unidos durante a Rodada do Milênio deve ser respaldada pelos demais países do continente americano. A opinião é de Rominger. "Eu acho que a posição dos Estados Unidos em diversos assuntos será apoiada por outros países", lembra Rominger.
Entre as metas definidas pelo governo norte-americano para serem defendidas durante a reunião, estão a redução dos subsídios às exportações praticados pelos países da União Européia (UE) e o maior acesso aos mercados.
Rominger lembra, no entanto, que os países europeus e o Japão devem se posicionar contrários a esta idéia de reduzir os subsídios. "A União Européia e o Japão não querem muito progresso nesta questão", frisou. Rominger lembrou que cerca de 85% de todo o subsídio existente no mundo para exportação de produtos agrícolas estão concentrado nos países europeus.
De qualquer forma, o vice-ministro da Agricultura dos Estados Unidos lembra que as negociações no âmbito da OMC devem levar cerca de três anos para serem concluídas e outros seis a dez anos para a adoção das mudanças acertadas.
O interesse dos Estados Unidos, em termos de expansão de exportações, está concentrado no aumento da colocação de soja, milho, frutas e outros vegetais no mercado global de produtos agrícolas.


