Vice-líder do PMDB na Câmara propõe 'bê-á-bá' para limitar ministros
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terça-feira, 06 de abril de 1999
Por Lige Albuquerque 
Brasília, 07 (AE) - O vice-líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), sugeriu hoje a criação de um "bê-á-bá para dar limites ao dos ministros frente à base". A reação de Alves foi contra a idéia do ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, de criar "regras de comportamento" para os parlamentares que dão sustentação ao Executivo na Câmara.
O ministro defendeu essas regras aludindo à posição do PMDB, em ter sugerido a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Sistema Financeiro em represália à não-aceitação do Palácio do Planalto das indicações de membros do partido para cargos do segundo escalão.
"Se tiver de fazer uma cartilha para ditar regras para os partidos da base também seria interessante fazer um be-a-bá para dar limites ao comportamento dos ministros frente à base", disse Alves. Para o deputado, ditar regras de ação para os partidos iria tirar a independência deles. "Ser base do governo não significa submissão ao Planalto."
De acordo com Alves, a base do governo está "desunida" e a causa é única: está faltando mais encontros pessoais das bancadas dos partidos da base com o presidente Fernando Henrique Cardoso. "Já está demonstrado que o articulador político do governo não está conseguindo fazer essa união; é preciso a intervenção do presidente", afirmou.
Apesar da desunião assumida, o deputado afirma que não vê grandes dificuldades na volta à tranquilidade. "As desavenças são sobre coisas pequenas, pontuais", explicou.
O líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), afirmou que não irá comentar a idéia de Veiga. Mas negou, entretanto, que haja algum foco de desunião entre os partidos da base. "Acabamos de fazer um acordo para a Comissão da Reforma do Judiciário", justificou. O acordo deixou o PMDB fora dos cargos-chave da comissão: o PFL ficou com a presidência, o PSDB com a relatoria. Coube ao PMDB duas sub-relatorias e ao PT, PPB, PTB e PDT uma sub-relatoria para cada. A promessa ao PMDB foi que o partido seria "bem-recompensado" na definição de presidência-relatoria da futura comissão sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal.
A desunião existe, para o vice-líder do PFL na Câmara, José Carlos Aleluia (BA), mas é "passageira, simples de resolver e rotineira". "É que a base está desocupada", afirmou. Segundo ele, a experiência no Parlamento demostra que desavenças costumam acontecer no início das legislaturas e pós-recessos. "Em agosto, vem de novo", minimiza.
Aleluia concorda com a definição de "regras de comportamento" por parte do governo federal sobre as ações dos deputados da base. "Tem de ter um contrato em que os partidos estejam afinados em seus discursos; não se pode atuar num time e fazer gol contra de propósito", afirmou, em analogia ao comportamento do PMDB.
O líder do PTB na Câmara, Roberto Jefferson (RJ), acha que é hora de o governo estabelecer um fim na possibilidade de haver troca de favores para que sejam aprovados projetos de interesse do governo.
"Isso foi inaugurado na emenda da reeleição, mas é hora de parar", disse. "Quem quer fazer parte de uma base governista não pode ficar pedindo nada em troca e promovendo retaliações: isso é papel de oposição."


