Brasília, 20 (AE) - A presença do secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, na CPI do Sistema Financeiro para informar dados sobre arrecadação no sistema financeiro e evasão fiscal provocou uma crise interna na comissão. Tudo começou com o adiamento do depoimento da manhã para a tarde e uma reunião secreta de alguns senadores com o secretário antes de ele ser ouvido por toda a comissão. Irritado, o vice-presidente da comissão, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), disse que havia uma operação para abafar investigações e transformar a CPI em pizza.
Como os outros senadores, Arruda foi surpreendido com a decisão do presidente da CPI, senador Bello Parga (PFL-MA), de adiar para a tarde o depoimento, e depois acertar com o relator, senador João Alberto (PMDB-MA), que antes do depoimento eles fariam uma reunião fechada com o secretário da Receita, inclusive com a participação de Arruda. O tucano reagiu na mesma hora. Em entrevista à Rádio CBN, Arruda disse que não participaria de nenhuma reunião reservada. O senador defendia que o depoimento fosse fechado para que o secretário Maciel pudesse oferecer dados do sigilo fiscal de instituições. Mas ninguém se entendia sobre como deveria ser o depoimento.
"Acho fundamental que Everardo Maciel fale protegido pelo sigilo fiscal; eu não entro em nenhum movimento de abafa; eu não gosto de pizza, não como pizza, pizza engorda e estou aqui para buscar a verdade e não desta linha", disse Arruda. Do outro lado, a reação não foi menor. "Não creio que ele tenha feito tal insinuação, porque ele era o líder do governo aqui no Congresso", afirmou o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Mais tarde, o senador Arruda negou que tivesse insinuado na entrevista uma operação-abafa. A "reunião preliminar" com Everardo Maciel que seria realizada com a participação dos senadores Bello Parga, João Alberto, Lúcio Alcântara (PSDB-CE), o líder do PMDB, Jáder Barbalho (PA), Emília Fernandes (PDT-RS) e Arruda acabou acontecendo, mas excluiu os dois últimos - Emília, representante da oposição, e o tucano que se negou a comparecer. "Foi uma reunião preliminar para decidir relações da Receita Federal com a CPI para questões operacionais", explicou Jader.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) fez seu protesto no início do depoimento de Macil. "Quero deixar registrado que nem o Saturnino Braga (PSB-RJ) nem a Emília Fernandes e nem eu fomos convidados para essa reunão", disse ele. "Eu já expliquei aqui
senador, que não houve reunião informal, apenas fomos receber o secretário", rebateu o senador Bello Parga, para ser desmentido pelo secretário da Receita nos minutos seguintes: "Essa reunião de caráter informal que tivemos foi estritamente com o objetivo de oferecer sugestões de caráter operacional", justificou Maciel, no início de seu depoimento, aberto ao público.

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