Porto Alegre, 29 (AE) - O vice-governador gaúcho, Miguel Rossetto, disse hoje que a Ford "não se dispôs a aplicar US$ 100 milhões no seu empreendimento de mais de R$ 1,2 bilhão". Ele afirmou que, se fossem executados integralmente, os contratos assinados pelo governo anterior, de Antonio Britto (PMDB), "significariam uma transferência superior a R$ 3,5 bilhões à Ford", em adiantamento de capital de giro, benfeitorias públicas e privadas e incentivos fiscais. A oferta do Estado chegou a R$ 196,5 milhões em empréstimo e obras de infraestrutura.
Originalmente, o Estado investiria R$ 461 milhões na montadora sob a forma de empréstimo favorecido - sem correção monetária, juros anuais de 6%, com 15 anos para pagar, sendo cinco de carência - e obras de infraestrutura. Mais R$ 550 milhões viriam do BNDES.
Para o vice-governador, é preciso lembrar que a empresa norte-americana acumulou um lucro de US$ 6,7 bilhões no mundo em 1998 e possui US$ 23 bilhões como saldo de caixa. Acentuou que o governo gaúcho "não estava negociando com uma entidade filantrópica". Rossetto criticou o gesto da empresa que, no seu entendimento, retirou-se abruptamente da mesa de negociações. Acha que a decisão da Ford já estava tomada bem antes da última reunião, realizada na quarta-feira.
Ele queixou-se de manipulação nos números de vagas que a planta de Guaíba criaria. Segundo a oposição, a unidade propiciaria até 200 mil empregos diretos e indiretos. Rossetto sustentou que a Ford comprometeu-se apenas com a criação de 1,5 mil empregos diretos.

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