São Paulo, 11 (AE) - O vice-presidente do Conselho Nacional do Café, Manoel Vicente Bertone, classificou como "infeliz" a afirmação do futuro secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Paulo César Samico
de que o governo vai rever a meta de exportação acordada junto à Associação dos Países Produtores de Café, de 17 milhões de sacas de café verde.
Bertone disse que faltou tato ao novo secretário quando comentou que a safra brasileira para 2000/2001 poderá atingir 40 milhões de sacas, pois neste momento existe uma apreensão nas regiões produtoras, uma vez que há 60 dias não chove. "A seca preocupa, mas é um fenômeno esperado. O fator novo são as altas temperaturas, de 30 a 33 graus. Estamos em pleno verão", disse ele.
Em relação ao fato de Samico ter considerado a meta de exportação de 17 milhões de sacas uma derrota para o País, Bertone disse que o secretário está equivocado. "Para quem quer vender barato, a declaração foi excelente, pois quem paga o prejuízo é o País e os produtores."
Bertone disse que Samico parece desconhecer que a meta de 17 milhões de sacas refere-se apenas à exportação de café verde, uma vez que os embarques poderão atingir 20 milhões de sacas se considerar as exportações de solúvel.
Ele disse estar preocupado com a volta do autoritarismo na gestão da política cafeeira, um vez que o Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC) ainda não foi consultado. "Se eu encontrar o Samico não vou reconhecê-lo, pois não fomos apresentados", disse Bertone.
O vice-presidente do CNC afirmou que está preocupado que esteja de volta os tempos em que representantes do governo davam declarações para alterar as cotações dos futuros de café nas bolsas internacionais. "O novo secretário deveria ouvir o ministro Pratini de Moraes, que disse que em café não se fala, se age".

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