Vice denuncia esquema de lavagem de dinheiro envolvendo Camata
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2000
Por Wilson Tosta 
Rio, 20 (AE) - Um suposto esquema de lavagem de dinheiro de traficantes e de desvio de verbas públicas, que envolveria o prefeito de Cariacica (ES), Dejair Cabo Camata (PFL), e seu grupo está sendo denunciado à CPI do Narcotráfico pelo vice-prefeito da cidade, Jésus Vaz (PSD). A operação, segundo o denunciante, envolve notas frias e pode ter movimentado R$ 30 milhões em três anos. Pressionado pelo Tribunal de Contas, que pediu intervenção no município por supostas irregularidades em contas, Camata repudiou as acusações e disse que o vice o ataca por ter sido exonerado da Secretaria de Transportes, em 1997.
Vaz já apontou parte do suposto esquema a deputados da CPI no fim do ano passado e pretende, na volta dos parlamentares ao Espírito Santo, em fevereiro, passar-lhes mais detalhes a respeito. Em 1º de setembro de 1997, ao volante de um Tempra parado em um sinal vermelho, ele levou na axila um tiro, disparado, afirmou, por um motoqueiro, que fugiu. Ele acabara de prestar depoimento num inquérito sobre supostas irregularidades na secretaria, da qual fora exonerado dois meses antes.
O vice só circula armado e sob proteção de irmãos, também armados, únicos em quem confia, e não vai à prefeitura. "Não vou, porque, se for, vai ter tiroteio", disse ele.
O vice-prefeito afirmou que o esquema opera de duas formas. Uma é a falsificação de notas fiscais contra a prefeitura, em nome de empresas grandes, que são fornecedores do município e não participam da operação, mas são envolvidas. "A Secretaria da Fazenda do Estado já constatou essa duplicidade de documentos", disse. Outra é a emissão, por pequenas empresas, de notas por supostas compras da administração municipal. Os produtos, porém, não são entregues. Vaz afirmou já ter denunciado as primeiras irregularidades à CPI e que vai apontar as demais aos parlamentares, em sua volta ao Estado "O Tribunal de Contas constatou esses problemas", acusou. O vice disse que suas divergências com Camata começaram no primeiro dia da gestão do prefeito. O motivo foi a nomeação, pelo prefeito, do ex-governador Albuíno Azeredo (PDT) para ser o secretário municipal de Planejamento e de três peemedebistas para outros cargos. Ele não concordou com as nomeações.
Defesa - O prefeito afirmou que Vaz pode falar o que quiser a seu respeito. Não contesto", declarou, com ironia. "Cariacica não tem vice, ele é um joão-ninguém, não tem 1% dos votos aqui." O vice-prefeito, acusou, quando era secretário usou equipamentos da Secretaria de Transportes para fazer obras em seu sítio, na cidade de Serra, e, por isso, perdeu o cargo. "Quando o exonerei, mandei buscar um trator que estava lá, até mandei filmar", contou.
Camada disse que o parecer do Tribunal de Contas -que, ao examinar as suas contas relativas a 1998, o acusou de superfaturamento, desvio de verbas e aplicação de verbas em educação em patamar mais baixo que o mínimo exigido por lei- foi relatado por um conselheiro, Mário Moreira, que é seu inimigo. Ele reclamou que não teve prazo para se defender e afirmou que pretende fazê-lo verbalmente, para provar sua inocência.
"Sou o único prefeito do Estado a ter 100% de seus processos administrativos analisados pelo Tribunal de Contas", disse. "Todas as outras prefeituras são fiscalizadas por meio de amostragem." Camata afirmou também que há suspeitas de superfaturamento na prefeitura de Vitória. "Só que minha mãe veio da roça, e o prefeito da capital (Luiz Paulo Vellozo Lucas) é filho da presidente do Tribunal de Contas do Estado (Maria José Vellozo Lucas)", declarou. Ele disse também que suas contas bancárias e as de seu advogado, Vicente do Espírito Santo
estão abertas à CPI do Narcotráfico.


