Visita de Pence ao abrigo Santa Catarina de Sena ocorreu em meio à repercussão negativa da política de "tolerância zero" do governo americano contra a imigração ilegal
Visita de Pence ao abrigo Santa Catarina de Sena ocorreu em meio à repercussão negativa da política de "tolerância zero" do governo americano contra a imigração ilegal | Foto: Ricardo Oliveira/AFP


Manaus - No último dia de sua passagem pelo Brasil, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, visitou nesta quarta-feira (27) famílias de imigrantes venezuelanos que vivem em um dos abrigos que integram o programa de interiorização do governo federal em Manaus.

O local, que foi adaptado para receber famílias inteiras e, assim, não forçar a separação de pais e filhos, está entre os que podem ser beneficiados pela doação de mais de US$ 1 milhão (R$ 3,8 milhões) prometida por Pence para iniciativas de acolhida a refugiados venezuelanos no Brasil.

Para o coordenador da Cáritas Arquidiocesana de Manaus, que administra o abrigo, padre Orlando Barbosa, a visita não atendeu as expectativas. Apesar da confirmação de que a verba americana ficará disponível para o Ministério do Desenvolvimento Social, Pence não anunciou prazos. "Ele trouxe um discurso político imperialista e usou a fala dos próprios imigrantes para criticar o governo venezuelano. Não é uma defesa do povo brasileiro, não é só uma visita humanitária, e é isso que nos deixa atônitos", ponderou.

A visita ao abrigo Santa Catarina de Sena acontece em meio à repercussão negativa da política de tolerância zero do governo de Donald Trump contra a imigração ilegal, que resultou na separação de mais de 2.000 crianças dos pais (todos imigrantes ilegais), entre elas pelo menos 51 brasileiras. Esse foi um dos assuntos discutidos por Pence e Temer na terça-feira (26), em Brasília.

ACOLHIMENTO

O prédio onde funciona a Casa Santa Catarina de Sena, escolhida entre os cinco abrigos da capital para receber a visita de Pence, ficou seis anos fechado antes de ser reformado para receber o primeiro grupo de venezuelanos trazidos de Boa Vista, no início de maio.

Os quartos, coletivos, foram divididos por gênero e idade: homens e garotos acima de 12 anos ficam separados das mulheres, meninas e crianças pequenas. Grávidas também têm um espaço próprio.

Nos abrigos de Manaus, atualmente, aproximadamente 400 imigrantes venezuelanos recebem alimentação, atendimento de saúde e outros serviços básicos, como emissão de documentos, além de assistirem a palestras e oficinas e de serem encaminhados para vagas de trabalho.

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