Lima, 13 (AE) - Francisco Tudela, ex-chanceler e candidato à vice-presidência da chapa da aliança governista Peru-2000, partiu hoje (13) para o ataque, em reação ao anúncio do dia anterior, de que o presidente peruano, Alberto Fujimori, disputaria um segundo turno com o candidato do partido Peru Possível, Alejandro Toledo.
"Se vamos ao segundo turno, não é porque a senhora (Madeleine) Albright disse a 25 milhões de peruanos qual deve ser seu caminho político", disse Tudela, referindo-se à pressão da secretária de Estado americana para que houvesse uma nova votação. "Um governo pode expressar, como fez a Argentina, que as eleições sejam transparentes, mas isso é diferente de se exigir a realização de um segundo turno ainda antes da contagem final dos votos."
Na quarta-feira à noite, o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe) divulgou o resultado da apuração, com 97,68% dos contados. Fujimori obteve 49,84% dos votos e Toledo, 40,31%. De acordo com o presidente da entidade, José Portillo, os mapas que ainda não foram somados só poderão alterar essas porcentagens em 0,05 ponto porcentual. Como nenhum candidato alcançará os 50% de votos mais 1, o segundo turno, que deve ocorrer no fim de maio ou começo de junho, é inevitável.
O resultado foi recebido com alívio pelos peruanos. Diante das inúmeras acusações de irregularidades que teriam sido cometidas pelo governo, temia-se uma grande convulsão social, caso o resultado do Onpe contrariasse as contagens paralelas dos institutos de pesquisa e da Associação Cívica Transparência e desse a vitória a Fujimori no primeiro turno.
Desde o domingo, Toledo vinha mobilizando uma multidão em diversos pontos do país para chamar a atenção da imprensa internacional e evitar uma eventual manobra fraudulenta que lhe tirasse o direito de disputar o segundo turno. Assim que soube do resultado, o candidato opositor saiu ao balcão do Hotel Bolívar para saudar uma concentração de cerca de 40 mil pessoas na Praça San Martín, no centro de Lima. Depois, em entrevista coletiva, enumerou as demandas para uma campanha justa no segundo turno.
- Acesso equitativo aos meio de comunicação, principalmente das emissoras de TV de sinal aberto, que, durante o primeiro turno, não lhe deu espaço.
- Estabelecer um código de ética para garantir uma campanha de alto nível.
- Promover debates para que os candidatos formulem propostas e os eleitores conheçam os planos de governo.
- Evitar que os recursos do estado sejam usados em favor da campanha oficialista.
- Não permitir que funcionários públicos que não pertençam ao sistema eleitoral participem do processo.
- Evitar ataques que afetem a vida privada do candidato.
- Suspender a publicidade estatal para evitar que os meios de comunicação sejam condicionados a tomar partido em favor do candidato do governo.
- Substituir o chefe do Onpe, José Portillo, por outro funcionário que inspire mais credibilidade.
Fujimori não fez nenhum pronunciamento após a divulgação do resultado. Seu movimento político planejava realizar um comício hoje à noite, no centro de Lima, como marco do início da campanha para o segundo turno.
Também já com os olhos no segundo turno, Toledo iniciaria hoje um giro pelo país, viajando para Arequipa.
De todo modo, a tensão dos últimos dias, que havia tomado conta do país, acabou por dissipar-se. Toledo, ex-engraxate de origem indígena, formado em economia por universidades americanas, recebeu o apoio de todos os candidatos derrotados no primeiro turno para a segunda votação.
O resultado oficial, com a contagem dos 100% dos votos, deve sair só no começo da próxima semana. O Onpe vai informar o resultado da apuração aos juízes especiais do Jurado Nacional de Eleições (JNE). Esse organismo estabelecerá um prazo para que os partidos apresentem recursos e impugnações.
Só após esse processo, o JNE vai proclamar o resultado do primeiro turno e estabelecer a data do segundo.

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