Vice de Ciro é alvo de novas acusações
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domingo, 04 de agosto de 2002
Agência Estado 
São Paulo O candidato a vice-presidente pela Frente Trabalhista (PPS-PTB-PDT), Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, é destaque em reportagens produzidas por três das principais revistas semanais em suas edições deste final de semana. ''Veja, Época e IstoÉ'' trazem acusações feitas ao ex-presidente da Força Sindical sobre um eventual desvio de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e também de suposta tentativa de suborno, intermediada por um assessor. O assessor teria procurado um antigo desafeto de Paulinho, o sindicalista Vagner Cinchetto, e oferecido R$ 3 milhões para que ele não divulgasse as denúncias que diz ter contra o candidato a vice-presidente.
No caso de desvio de verbas do FAT, de acordo com as reportagens, a chefe da Controladoria-Geral da União, Anadyr de Mendonça, investiga irregularidades no convênio de R$ 38 milhões, entre a central sindical e o governo federal, que deveria treinar 245 mil trabalhadores. Uma auditoria concluiu que 30% dos trabalhadores que a Força indica terem passado pelos treinamentos não frequentaram os cursos. A central sindical teria embolsado a diferença dos recursos. Embora as investigações partam de um órgão do governo federal, há apenas suspeitas sobre a má gestão dos recursos do FAT.
Paulinho se defende, alegando que todas as contas apresentadas pela Força sobre o uso dos recursos do FAT foram aprovadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Cinchetto, um dos fundadores da Força, diz colecionar denúncias de irregularidades na gestão da central, especificamente sobre desvios de recursos do FAT. Ele alega ter sido procurado por um amigo comum de Paulinho, Marcos Cará, que também é assessor do candidato à vice-presidente da República.
Segundo relato das reportagens, Cinchetto e Cará se encontraram num restaurante de São Paulo semana passada, quando o assessor de Paulinho teria oferecido ao sindicalista R$ 3 milhões para que não divulgasse o que sabe. O encontro teria sido testemunhado por um jornalista.
Paulinho recusou-se a comentar o caso, dizendo que não enviou Cará como emissário ao encontro e chamou Cinchetto de vagabundo. Cará diz nas reportagens que foi procurado pelo desafeto de Paulinho para ser chantageado. As conversas não foram gravadas. Portanto, como todas as revistas relatam, tudo pode não passar de um jogo de acusações mútuas.
Paulinho, na semana passada, viu nas páginas de Época a informação de que a Procuradoria da República de Marília (SP) investiga a compra de uma fazenda pela Força Sindical em Piraju (SP) com um sobrepreço de R$ 1 milhão, além de ser acusado de usar um ''laranja'' para adquirir um sítio em Cerqueira César (SP).


