São Paulo, 17 (AE) - O vice-presidente da Associação dos Juízes Federais em São Paulo (Ajufe), Wilson Zauhy Filho, afirmou hoje ser "totalmente favorável" à criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Poder Judiciário. Segundo ele, "os magistrados têm pleno interesse em apurar qualquer irregularidade interna". Zauhy observou que "a competência para propor uma CPI é do Congresso", mas ressalvou que "a instalação dos trabalhos deve ser motivada por alguma denúncia efetiva". O juiz disse que ainda não recebeu "informação sobre qual acusação estão fazendo para justificar a investigação".
Zauhy presidiu ato "em defesa do Poder Judiciário e do Estado democrático" realizado hoje à tarde no auditório do Fórum Pedro Lessa, na Avenida Paulista. Dezenas de juízes participaram do encontro. Em São Paulo, a Justiça Federal dispõe de um quadro de 72 juízes e 36 Varas, distribuídas em três setores: Cível (22 Varas), Criminal (8) e Execuções Fiscais (6). Durante todo o dia, esses setores permaneceram em regime de plantão. As audiências regulares foram transferidas para outras datas.
Além da questão da CPI, os juízes discutiram a fixação do teto salarial. "Eu lanço um desafio ao governo: que apresente relatório de impacto financeiro nas contas da União com o estabelecimento do teto", disse Zauhy. Segundo ele, "a maioria dos juízes federais não teria aumento com a fixação". Ele afirmou que "os verdadeiros marajás não estão na Justiça Federal ".
Durante o ato, foi muito criticada a Medida Provisória 1798/99 que impede os juízes de primeira instância de concederem liminares em ações propostas coletivamente contra a União. "Essa medida tirou o poder dos juízes de primeiro grau", denunciou Zauhy. "Se o juiz não pode atuar com independência e se a Justiça tem de agradar o Poder Executivo, então é melhor a extinção da classe."

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