Rio, 10 (AE) - O vice-cônsul de Angola, José Paim reafirmou hoje, durante visita a Favela Nova Holanda, na zona norte do Rio, que espera uma retratação pública do governo do Estado, com pedido de desculpas, pela ação da polícia durante ocupação do local. O governo fluminense não se manifestou sobre o assunto. Durante a visita, Paim ouviu várias queixas de angolanos que moram na favela. Segundo eles, desde o início das operações para identificar os autores da chacina ocorrida na quinta-feira passada, que deixou seis mortos, famílias angolanas estariam sendo despejadas de suas casas na Nova Holanda, no Complexo da Maré.
De acordo com o diretor da Associação dos Angolanos no Rio, Francisco da Cruz, quatro famílias já foram obrigadas a sair da favela. "Eles estão sendo discriminados", afirmou Cruz. "A nossa vida mudou muito com a perseguição da polícia; perdemos a nossa privacidade", queixou-se Benvindo Geovani da Costa, de 29 anos. Ele mora há três anos no local e trabalha como mecânico na própria comunidade. "Não somos marginais e escolhemos o Brasil por causa da língua e reciprocidade do povo", desabafou. "O governo angola não é contrário ao trabalho da polícia, mas não concorda com a maneira como foi executada, discriminando angolanos. Ninguém pode esconder que o objetivo das operações era a população angolana", frisou Paim, acompanhado do presidente da organização não governamental Centro de Articulação das Populações Marginalizadas, Ivanir dos Santos, e parlamentares. Abuso - Amanhã (11), a Procuradoria-Geral da República começa a ouvir os angolanos que moram no Complexo para apurar se houve abuso e discriminação por parte da polícia. De acordo com estatística da Polícia Federal, existem 3.289 angolanos no Estado. Desse total, 1.023 têm visto permanente (o que dá direito a fixar residência). Cerca de 1.372 estão temporariamente no País (geralmente recebem no passaporte permissão para trabalhar) e 894 provisoriamente. Destes, 920 seriam refugiados. A maioria dos angolanos que está no Rio, - cerca de 1500 - escolheu o Complexo da Maré para morar.

mockup