Vice campeonato pelo segundo ano consecutivo frusta Nenê da Vila Matilde
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Por Paula Anselmo 
São Paulo, 17 (AE) - Pelo segundo ano consecutivo, a Nenê da Vila Matilde ficou com o posto de vice-campeã no desfile da Liga das Escolas de Samba de São Paulo. As 500 caixas de cervejas encomendadas para animar a comemoração no barracão da escola, que comemora os seus 50 anos de existência, serviram para apaziguar o clima de indignação e revolta de cerca de 3 mil integrantes que acompanharam a apuração das notas no local. Passistas e membros da organização da Nenê estavam inconformados com o segundo lugar. "Somos campeões morais", consolava-se Garrincha, mestre de bateria. "Nosso presidente tem de ter mais atitude e respeitar o nosso trabalho, não aceitando este tipo de violação feita por jurados que não têm conhecimento nenhum sobre carnaval", reclamou. "Agora, só nos resta a festa da incoerência".
Paschoal, primeiro mestre da mesma ala, revelou que a bateria da Nenê deve protestar contra a decisão, desfilando sem fantasia na apresentação da apoteose, no sábado. "É mais um ano de decepção". Evolução - O presidente da escola, Alberto Alves da Silva Filho, o Betinho, acredita que o resultado injusto é consequência da incompetência de alguns juízes, que não estão preparados para julgar quesitos técnicos. Na categoria harmonia, a Nenê recebeu nota máxima, 50. Já em evolução, os pontos baixaram para 47,5. "Os juízes deveriam entender que é um quesito ligado ao outro e é impossível esta diferença", protestou. "Faltou verdade nesta nota", afirmou. "O papel de quem julga uma escola de samba é o de ajudar a melhorar, apontando seus defeitos, mas este ano ele só nos prejudicou".
Segundo ele, a partir desta semana a diretoria da escola vai procurar a equipe julgadora para ter um esclarecimento mais detalhado e uma boa justificativa sobre o resultado. "Nós não erramos nesta categoria; a Nenê sambou na avenida, que é uma característica da escola", explica. "Eu não posso acreditar que o certo seja desfilar andando, com um passista colado no outro".
Mas Betinho não desanima. "O resultado do carnaval tem de ser respeitado, mesmo que injusto, e não vamos abrir mão do samba para ser campeão", disse. "Vamos sair de cabeça erguida e aprender a perder para depois pensar em ganhar".


