Viatura da PM que atropelou quatro mulheres não estava em diligência, afirma investigação
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segunda-feira, 13 de agosto de 2018
Isabela Fleischmann <br> Reportagem Local 
O carro da PM (Polícia Militar) que atropelou e matou quatro mulheres em um ponto de ônibus nas proximidades do viaduto da Linha Verde com a Avenida das Torres, em Curitiba, no dia de 31 julho, não atendia nenhuma ocorrência no momento do acidente. É o que afirma o delegado Vinicius Carvalho, da Dedetran (Delegacia de Delitos de Trânsito), que investiga o caso.
Em um primeiro momento, segundo ele, os policiais afirmaram à Delegacia que utilizaram a canaleta exclusiva porque estavam em condição de atendimento, o que diverge do que foi apurado pela Polícia Civil. Fora de uma situação de emergência, os PMs não poderiam trafegar pela faixa exclusiva para ônibus.
"Segundo a própria PM eles não estavam atendendo a uma chamada. Testemunhas ouvidas relataram que não ouviram sirene ou giroflex, mas temos que aguardar o posicionamento da perícia se estava de fato ligado ou não", explica Carvalho.
Não se sabe se a viatura estava em alta velocidade e tampouco há previsão de quando será concluída a investigação do Instituto de Criminalística. "Acidentes são muito rápidos, não dá para colocá-los presos somente na prova testemunhal ou pericial. Fazemos um conjunto probatório. Agora temos que aguardar. A perícia tem sua demanda", disse o delegado.
Embora o inquérito não tenha sido finalizado, é possível ver por imagens que a viatura circulava na canaleta quando um pedestre cruzou a pista, conforme Carvalho. O motorista tentou desviar, mas perdeu o controle e atingiu o ponto de ônibus. Ele teve ferimentos leves, assim como o PM passageiro. As quatro mulheres que estavam no ponto de ônibus morreram, duas no local e as outras no hospital.
Sandra Maria Silva perdeu duas familiares no ocorrido. A cunhada Elizandra Maltezo Araújo Lustoza, 32, que acompanhava a sogra Vergínia Gouvea Enes, 67, para ir ao médico. "Que eles [os policiais] mentiram não era novidade pra ninguém. Todos tínhamos quase certeza disso. Minha mãe estava correndo atrás de ter saúde e encontrou a morte juntamente com minha cunhada que a acompanhava neste dia", desabafou.
O Dedetran ainda procura informações sobre o homem que andava pela canaleta para agregar à investigação. A Polícia Civil tem tratado o caso como homicídio culposo, ou seja, quando não há a intenção de matar. A mudança para uma linha de investigação de homicídio doloso ou dolo eventual dependerá do laudo pericial da viatura e anexos, como um possível excesso de velocidade.
Por meio de nota, A PM afirmou nesta segunda-feira (13) que ainda não recebeu oficialmente as informações dos autos e que só poderá tomar medidas técnicas, jurídicas e administrativas cabíveis, bem como se pronunciar, após o recebimento deste processo e da conclusão do IPM (Inquérito Policial Militar) que ocorre internamente (paralelo ao criminal). A Polícia Militar ressaltou que "não compactua com desvios de conduta de seus integrantes e, se ficar comprovada alguma irregularidade ou desvio de conduta dos policiais, respeitados os princípios da ampla defesa e do contraditório, eles serão responsabilizados dentro do rigor da lei".
(Atualizada às 19h de 15/08/2018)


