Brasília, 13 (AE) - O governador do Acre, Jorge Viana (PT), queixou-se hoje ao presidente Fernando Henrique Cardoso, após a cerimônia de criação do Banco da Terra, no Palácio do Planalto, da suspensão do convênio entre o Estado e o Ministério dos Transportes para a contrução das Rodovias BRs-364 (Porto Velho-Rio Branco) e 317 (Rio Branco-fronteira com Bolívia).
Segundo Viana, até o fim de 1998, as obras eram conduzidas pelo governador Orlei Cameli, que administrava o dinheiro, repassado pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). Quando Viana assumiu o governo, por ser de oposição, o DNER imediatamente suspendeu o convênio, voltando a centralizar os recursos.
Para o governador acreano, é um contrasenso o governo federal convidá-lo a participar de uma cerimônia de descentralização de recursos para a reforma agrária e, ao mesmo tempo, suspender a verba das duas únicas obras do programa Brasil em Ação, concentrando-a no DNER, que "é um órgão sempre envolvido em irregularidades". De acordo com Viana, "é um absurdo" o governo federal considerar Cameli, "um corrupto", como um bom parceiro, durante quatro anos e, agora, que assume um governador de oposição, suspende o convênio, prejudicando o Estado. "É querer acabar com o meu governo", afirmou. Fernando Henrique ouviu as críticas e prometeu conversar com o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, sobre o problema, assim que regressar da viagem de uma semana ao exterior, para lhe apresentar uma solução. No encontro, o presidente aproveitou para cobrar de Viana uma programação para que ele visite o Estado. Há 18 anos um presidente não visita o Acre. Viana disse que, no momento, não há o que fazer, pois as únicas obras do governo federal no Acre - as duas rodovias - estão paradas por causa da suspensão do repasse de recursos.
Viana aproveitou ainda para afirmar que não concorda com o processo de reforma agrária promovido pelo governo federal. Para Viana, não se faz reforma agrária sem ouvir o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Igreja Católica e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). "Não há o que comemorar em termos de reforma agrária", disse Viana, que foi premiado com um projeto de assentamento quando era prefeito de Rio Branco.

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