Viana pede a FHC que não se curve a quem não é democrata
Cruzeiro do Sul, AC, 20 (AE) - O governador do Acre, Jorge Viana (PT), elogiou o "gesto" do presidente Fernando Henrique Cardoso de visitar Estado comandado por integrante de outro partido. Sem citar o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), referiu-se à relação do presidente do Senado com o governo federal. "Espero sinceramente que o senhor
que conseguiu a reeleição, e o povo não reelegeria qualquer um, o senhor que tem a biografia de um democrata, não se curve, não aceite o papel de refém de pessoas que não têm uma biografia de democrata e se aproveitam para chantagear e exigir aquilo que não é de direito", disse Viana.
O governador do PT destacou a importância da composição política presente no palanque, onde o presidente e seus ministros estavam ao lado, por exemplo, da líder da oposição no Senado, Marina Silva (PT) para a assinatura de convênios de interesse do Estado, como a construção da estrada BR 364. O prefeito da cidade, Aloísio Bezerra (PMDB), também estava no palanque. "Vejo na sua disposição (do presidente), mesmo diante desta agenda difícil, um gesto de atenção, de carinho, de respeito", avaliou Viana.
"Algo de novo está acontecendo, eu sou de um partido, o Partido dos Trabalhadores, tenho como vice um político do PSDB, e diante de tantos problemas, de divergências conhecidas de todos, o senhor consegue espaço e dá um tratamento que nem aliados seus têm - não por problemas políticos, mas por problema de tempo, agenda diferenciada." Para o governador, "há aí um gesto de que é possível construir uma relação independente das diferenças políticos partidárias, que possa pôr o interesse do povo em primeiro plano."
No discurso, Viana elogiou o presidente por sua trajetória política e pela oportunidade de dirigir a Nação. "O senhor tem biografia de um democrata, uma biografia de um estudioso e teve a felicidade de governar o nosso País. São muitos os desafios que o senhor enfrenta, mas eu penso que o povo com sua sabedoria
a sua maneira, quando reclama, também nos impõe novos desafios.", declarou. "Espero sinceramente que o senhor ouça nosso povo, que o senhor ande nas cabeceiras dos rios, como o senhor está fazendo hoje, porque aqui se aprende que a história do povo é uma só: é querer o desenvolvimento, é querer um emprego, é querer orgulhar-se de viver no nosso País."





