Brasília, 13 (AE) - O governador do Acre, Jorge Viana (PT), disse hoje que pretende adotar as sugestões que venham a ser apresentadas pela CPI do Narcotráfico, como o afastamento de policiais envolvidos com o tráfico e o esquadrão da morte no Estado. Viana disse hoje que a CPI deve chegar ao "limite" das investigações sobre o deputado Hildebrando Pascoal, acusado por testemunhas de envolvimento com as drogas e os crimes no Acre.
"O governo do Acre está esperando as solicitações de afastamentos", disse Viana. "O que será uma boa colaboração da CPI". Na sexta-feira, a CPI já tinha alguns nomes de policiais militares e civis que estariam envolvidos com o grupo de Hildebrando.
Os parlamentares disseram que enviariam a lista ao governador. Viana disse ser importante aprofundar as investigações sobre a vida de Pascoal. "Pesam sobre ele denúncias gravíssimas", disse. Na quinta-feira, a Mesa da Câmara aprovou a abertura de processo de cassação do mandado do parlamentar do Acre.
Viana afirmou que vários policiais foram afastados de suas funções, por envolvimento com o crime organizado no Estado, e que este será um processo que terá continuidade durante seu mandato. O governador prometeu reduzir ao máximo a ação dos narcotraficantes no Estado.
Uma das maiores dificuldades para acelerar as investigações, segundo Viana, é o reduzido número de policiais federais no Estado. Segundo o governador, só há três policiais federais na região de Cruzeiro do Sul, por onde passaria droga. Viana disse que há 20 anos a mesma região dispunha de 15 policiais federais.

"Precisamos da compreensão do Ministério da Justiça para este problema", disse, "já que é a Polícia Federal que tem condições de investigar o narcotráfico internacional." Viana afirmou que quase todas as pessoas ligadas ao narcotráfico no Acre foram afastadas de suas funções, mas que ainda depende de investigação para afastar as demais. Foi montada uma operação que envolve os serviços de inteligência das polícias Civil e Militar, Exército e Polícia Federal. "Já desestruturamos o esquema que estava ligado ao aparato policial", disse Viana.
O governador mostrou-se irritado com as declarações do corregedor-Geral da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE), que sugeriu que Viana teria "premiado" traficantes ao transferir um delegado acusado de envolvimento com o narcotráfico para uma área de atuação de um empresário também ligado ao tráfico.
Viana disse que Severino é um "irresponsável". Ele afirma ter feito um "combate sem tréguas" ao narcotráfico, mas que muitas destas pessoas envolvidas "não deixaram rastros".

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