Brasília, 26 (AE) - O governador do Acre, Jorge Viana (PT), criticou hoje o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), por ele ter se "metido em assuntos do PT" e disse que a frente das esquerdas pode rachar se as crises internas da esquerda não forem contornadas. "Se ela (frente) não aprender a lidar com os espinhos, ela não vai dar certo", declarou Viana, ao desembarcar em Brasília. Para ele, Garotinho não pode dar a atenção "indevida" ao partido.
"Eu acho que o diálogo de Garotinho deveria ter sido com a direção nacional para discutir os problemas", disse Viana. Ele fez um apelo para que o pedetista tenha "paciência" com o PT e pediu ainda "compreensão" aos petistas para trabalharem pelo fortalecimento da aliança. O governador petista disse que no Acre mantém uma aliança com 12 partidos, entre os quais o PDT e PSDB. "Tenho estabelecido uma boa relação, mas é preciso ter paciência", disse Viana, que vai conversar com dirigentes nacionais do partido sobre a crise no Rio. "Todos têm de pôr as cabeças no travesseiro", disse.
O presidente do PT nacional, deputado José Dirceu (SP), e o líder do PT na Câmara, José Genoíno (SP), defenderam que a relação com o governador Garotinho deve ser "redefinida" para evitar novas crises na frente nacional. Dirceu afirmou, entretanto, que a determinação do PT estadual é soberana. "Se foi decidido que devem se retirar os secretários que participam do governo Garotinho, eles devem sair", disse.
José Genoíno voltou a criticar Garotinho, mas descartou a possibilidade de intervenção da direção nacional no diretório estadual do Rio. "A unidade do PT é construída na base da divergência, algo saudável na democracia", afirmou. Ele disse, no entanto, que não aceita a justiticativa de Garotinho de que atacou apenas "setores do PT". "Toda vez que uma parte do partido é atacada, a outra é solidária". "Garotinho não pode tratar o PT em partes", declarou o líder petista.
Intervenção - Não seria a primeira vez que o PT nacional interviria numa decisão da representação carioca do partido. Na convenção do Rio do ano passado, foi escolhido o ex-deputado Vladimir Palmeira para concorrer às eleições. Em nome da aliança nacional - que lançaria para a Presidência da República a chapa Luiz Inácio Lula da Silva e Leonel Brizola, como vice, numa união PT-PDT -, o PT passou por cima da decisão da convenção. Foi imposto ao PT fluminense o apoio ao então candidato a governo do PDT, Anthony Garotinho.
Para Genoíno, apesar desse histórico da intervenção, a saída dos representantes petistas do governo fluminense não significa que o PT esteja fora do governo ou que tenha rompido com a aliança. "É um fato isolado de divergência saudável, mas não de ruptura", considerou. "A convenção do Rio foi preparatória para o congresso nacional, em novembro, onde todas as divergências também serão bem-vindas."

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