Benê Bianchi
O medicamento Viagra, usado no tratamento da disfunção erétil, acaba de completar um ano de comercialização no Brasil, apresentando números surpreendentes. Nada menos que um milhão de prescrições foram efetuadas e cinco milhões de comprimidos foram ingeridos no período, resultando num faturamento de US$ 28,8 milhões. Os dados foram anunciados na última terça-feira, em entrevista coletiva realizada em São Paulo, organizada pelo fabricante do produto, a Pfizer.
Segundo a Pfizer, o medicamento beneficia, no Brasil, cerca de 100 mil casais por mês. Nos Estados Unidos, desde que foi liberado, em março do ano passado, já foram mais de 9 milhões de prescrições. No total, o Viagra é comercializado em 66 países, sendo o Brasil o segundo maior mercado mundial, ficando atrás apenas dos EUA.
Além dos números da comercialização, o fabricante diz que o medicamento possibilitou a maior discussão sobre a disfunção erétil, ou impotência, como o problema é popularmente conhecido e maior procura por ajuda médica. De acordo com dados norte-americanos, o número de pacientes que consultaram especialistas para tratar a disfunção erétil dobrou de 97 para 98. Isso possibilitou diagnósticos de diabetes, câncer de próstata e hipertensão.
No Brasil, uma pesquisa encomendada pelo laboratório e realizada junto a andrologistas, aponta um aumento significativo no número de pacientes que vêm buscando ajuda. De acordo a pesquisa, 93% dos médicos concordaram que o produto abriu espaço para a discussão sobre disfunção erétil.
Na opinião de 60% dos especialistas ouvidos, o medicamento ainda contribuiu para que o tabu relacionado à impotência seja encarado com mais tranquilidade, sem tanta vergonha ou sigilo. Também 57% dos pesquisados concordam que o Viagra pode ser utilizado por pacientes com problemas cardio-vasculares, desde que não estejam tomando nitratos e que não haja restrição a esforços físicos durante o ato sexual.
O presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Ronaldo Damião apresentou um estudo clínico realizado durante oito semanas em 56 entidades médico-científicas espalhadas pelo Brasil - entre as cidades estão Cascavel e São José dos Pinhais, no Paraná - com 353 pacientes portadores de disfunção erétil. De acordo com os resultados, 82,4% dos pacientes medicados com Viagra relataram ter observado uma melhora significativa em suas ereções. O rubor facial (rosto avermelhado) e a cefaléia foram os efeitos colaterais mais frequentes apresentados pelos pacientes.
Quanto à utilização do Viagra para mulheres, o diretor-médico da Pfizer, Vadair Pinto, observou que a indicação não está aprovada, que as pesquisas estão sendo realizadas e que a disfunção sexual feminina é mais complexa. ‘‘Mas há dois estudos reportados, um de Boston (EUA) e outro de Ribeirão Preto (SP) mostrando evidências de que há mais lubrificação vaginal com uso do Viagra, mas esses estudos têm que ser complementados.’’

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