Viagens nacionais compõem 60% dos pacotes turísticos
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segunda-feira, 12 de julho de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 13 (AE) - O setor de turismo vive momentos de euforia em relação às vendas de pacotes de viagens para destinos nacionais, que pela primeira vez em quatro anos estão tomando a dianteira nos negócios, com 60% de participação. Apesar de menos lucrativos, segundo as agências e operadoras, esses pacotes podem salvar os ganhos do setor por causa do aumento de escala.
Segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), 83% das 150 empresas consultadas tiveram faturamento abaixo do previsto, entre fevereiro e abril. A razão principal foi a queda média de 64% nos negócios envolvendo viagens ao exterior, as mais rentáveis. Contudo, na mesma pesquisa, a maior parte das agências (54%) já apontava crescimento médio de 9,3% no turismo doméstico, e partiu para investimentos nesse segmento (novos produtos e destinos no Brasil) para compensar as perdas.
De lá para cá, outros indicadores se juntaram: houve aumento de 40% na emissão de passagens para destinos domésticos, por exemplo. E embora ainda não haja resultados tabulados pelas empresas, a temporada de julho está sendo um sucesso, com Nordeste e cidades serranas do Rio Grande do Sul liderando na preferência do turista.
A tendência de crescimento do turismo interno não é nova. Mas a mudança cambial deu um impulso considerável. A Abav vem registrando, desde 1996, aumento da participação das cidades brasileiras no bolo total de vendas.
Em 1996, 70% dos pacotes vendidos seguiram para o exterior. No ano seguinte, essa fatia encolheu para 60%. Em 1998, antes da desvalorização do real ante o dólar, mas já em clima de crise econômica, os destinos internacionais vinham sendo desbancados pelos nacionais e havia um empate técnico: 51% dos destinos ficavam no exterior e 49% no Brasil. A mudança cambial, em janeiro, consolidou o cenário. Este ano apenas 40% das vendas terão origem em pacotes internacionais, prevê a Abav..
Mesmo agências e operadoras especializadas em viagens internacionais, como é o caso da Agaxtur, estão fazendo algumas mudanças nos seus roteiros para aproveitar o boom nos negócios domésticos. A diretora da área comercial da empresa, Helenice Gualda Lourença, informou que cerca de 40% dos pacotes vendidos para esta temporada de julho são brasileiros. No ano passado, essa fatia era de apenas 30%.
As capitais do Nordeste são as mais procuradas. Mas, lembra Helenice, também são muito requisitadas as temporadas em resorts. O nome é sofiscado, mas na prática significa uma versão luxo do hotel-fazenda, só que na praia, ou seja, um hotel cinco estrelas, com muitos serviços de lazer agregados, em algum lugar paradisíaco e isolado.
Com essas opções, as agências e operadoras esquentam os motores para a festa do ano 2000. Mais do que a recuperação da economia, a passagem para o ano 2000 deve trazer um segundo semestre promissor para o turismo - 47% das empresas esperam crescimento dos negócios no ano por conta disso.
Também o diretor regional de vendas da CVC, José Vitório Jerônimo, notou a migração do turista das viagens internacionais para as nacionais. O aumento da procura por pacotes domésticos chegou a 20% nessa temporada de invermo em relação a julho do ano passado, disse.
Já os destinos internacionais sofreram um baque logo na desvalorização do real - queda de 90% na CVC -, mas se recuperaram. Hoje, a queda de viagens internacionais em relação a julho do ano passado é de 50%, com tendência de maior recuperação. Para José Vitório, o que afastou o cliente típico da CVC da viagem internacional não foi tanto o valor dos pacotes
mas o fim do atrativo de compras no exterior, hoje ofuscado pela desvalorização do real.
O diretor lembra também que do ponto de vista da rentabilidade, as viagens internacionais são melhores para agências e operadoras. Mas como o aumento do turismo doméstico foi muito forte, pode ser que o setor mantenha o nível no faturamento este ano.


