Brasília, 4 (AE) - O inferno astral do ministro demitido Clóvis Carvalho começou em abril deste ano, quando surgiu na imprensa a informação de que o então chefe da Casa Civil havia utilizado aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) nas viagens de férias com a família para a ilha de Fernando de Noronha. Carvalho chegou a pagar R$ 25 mil ao Tesouro Nacional pelo uso dos aviões, mas não evitou que o Ministério Público Federal entrasse com uma ação de reparação de danos ao erário público.
As denúncias contra Carvalho repercutiram mais do que outras feitas contra ministros de Fernando Henrique Cardoso, que também utilizavam os aviões da FAB para viagens particulares. Até mesmo o presidente chegou a criticar seu então principal auxiliar no Palácio do Planalto. Em uma entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, Fernando Henrique admitiu que seu ministro errou ao requisitar a aeronave para uso pessoal.
Entretanto, o presidente chegou a defendê-lo, em seguida. "Nunca ninguém pagou porque não havia uma regra clara sobre essa matéria", disse Fernando Henrique, na ocasião. "Isso é uma coisa mais ou menos usual, não ir para as festas, mas frequentemente, porque certos ministros não têm dinheiro".
A decisão de ressarcir aos cofres públicos foi do próprio Carvalho. Mesmo com o pagamento de R$ 25 mil ao Ministério da Aeronáutica, Carvalho ficou na berlinda e como alvo da oposição. Foi quando se descobriu que a viagem feita no início do ano não havia sido a primeira, mas uma de uma série.
Além disso, Carvalho havia requisitado um avião Brasília
maior que o jatinho que as autoridades federais constumam viajar, onde levou até mesmo namorados de suas filhas, totalizando oito pessoas.
Viagens - Depois de um levantamento feito por procuradores da República, descobriu-se que Carvalho era um dos ministros do atual governo que mais utilizava os jatinhos da FAB. Foram 367 viagens, muitas para São Paulo, onde mora sua família.
Coincidentemente, no mesmo dia em que se especulava a saída do ministro, anunciada na madrugada de hoje, o Comando da Aeronáutica baixava uma portaria regulamentando o uso de aeronaves oficiais por autoridades.
Hoje, conforme as novas normas, nenhum ministro pode utilizar os aviões oficiais se não for a serviço, por motivo de segurança ou de urgência. Entretanto, ainda podem viajar nos jatinhos da FAB para seus estados de origem, onde tenham residência permanente.

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